CURSO DE CUIDADOR PARA IDOSOS DOMICILIAR
CURSO TEÓRICO PARA
CUIDADOR DE IDOSOS DOMICILIAR
1. APRESENTAÇÃO
.......................................................................................... 05
2.
OBJETIVO
...................................................................................................... 06
3. OJETIVOS ESPECÍFICOS
.............................................................................. 07
4. DIREITOS
HUMANOS...................................................................................... 08
5. DIREITOS
TRAB.DO CUIDADOR FORMAL DA PESSOA IDOSA ................. 14
5.1. Código 5162-10 - Cuidador de
idosos ........................................................... 14
6.
PERFIL DO CUIDADOR
................................................................................... 19
6.1.Gostar
do que faz .......................................................................................... 19
6.2.
Capacidade de ser tolerante e
paciente........................................................ 20
6.3. Qualidades
físicas e intelectuais................................................................... 20
6.4. Capacidade de observação........................................................................... 20
6.5.
Aceitar a morte como fato natural da
vida..................................................... 21
6.6.
Responsabilidade.......................................................................................... 21
7.
ÉTICA PARA O CUIDADOR DE IDOSOS:....................................................... 22
7.1. Aparência do Cuidador................................................................................... 22
7.2. Higiene Pessoal do Cuidador......................................................................... 22
7.3.
Pontualidade................................................................................................... 23
7.4. Postura
ética................................................................................................... 23
7.5. Área de
trabalho............................................................................................. 23
7.6. Educação no trato com as
pessoas............................................................... 23
7.7. Utilização de Aparelhos Domésticos.............................................................. 23
7.8. Envolvimentos sentimentais
particulares........................................................ 24
7.9. Saídas e
passeios......................................................................................... 24
7.10. Atualização
profissional............................................................................... 24
7.11. Religião, Política e
Esportes........................................................................ 24
8. FUNÇÕES DO
CUIDADOR.............................................................................. 26
8.1.
Tarefas que fazem parte da rotina do
Cuidador............................................ 27
8.2.
Escutar não e
ouvir........................................................................................ 28
8.3. A
qualidade da paciência............................................................................... 28
8.4. Evitar
a reação
imediata................................................................................ 29
8.5. O
controle das emoções............................................................................... 29
8.6. Focalizar o interlocutor
................................................................................. 29
8.7. O Respeito.................................................................................................... 31
8.8. O Cuidador e a família do
paciente .............................................................. 31
9. CUIDANDO DO CUIDADOR
........................................................................... 32
10. O CUIDADOR E A EQUIPE DE SAÚDE......................................................... 34
11. VIOLÊNCIA E MAUS
TRATOS CONTRA A PESSOA IDOSA........................ 35
11.1. Violência contra a pessoa idosa
– O que fazer?.......................................... 37
11.2. Proteção à
pessoa cuidada.......................................................................... 38
11.3.
Maus
tratos................................................................................................... 39
11.4. O que
o cuidador pode fazer diante de situações de maus tratos............... 40
12. ESTATUTO DO IDOSO –
PARTES................................................................ 41
12.1. Política
Nacional do Idoso
(PNI)................................................................... 46
13. VESTUÁRIO DA PESSOA
CUIDADA........................................................... 48
14.
ALIMENTAÇÃO
SAUDÁVEL......................................................................... 49
14.1. Os dez passos
para uma alimentação saudável......................................... 49
14.2.
Outras recomendações gerais para a
alimentação...................................... 51
14.3.
Orientação alimentar para aliviar
sintomas.................................................. 52
15.
CUIDADOS COM A MEDICAÇÃO.................................................................. 54
16.
COMUNICAÇÃO.............................................................................................. 56
16.1. Como ajudar na
comunicação...................................................................... 56
16.2.
Alterações que podem ser encontradas na comunicação........................... 57
16.3.
Dificuldade na memória: como
enfrentá-la?................................................. 58
17.
DEMÊNCIA...................................................................................................... 60
18.
PACIENTES CADEIRANTES.......................................................................... 61
18.1.
Governo Federal define por lei o termo correto para tratar pessoa
com deficiência........................................................................................... 61
18.2. Como mover idosos da
cadeira de rodas para a cama............................... 61
18.3. Como descer
escadas com o cadeirante................................................................................ 63
18.4. Comportamento geral com um cadeirante................................................... 63
19.
CUIDADOS NO DOMICÍLIO PARA PESSOAS IDOSAS,
ACAMADAS OU COM LIMITAÇÕES FÍSICAS............................................... 64
19.1. Higiene
da Pessoa
Cuidada........................................................................ 64
19.2.
Como proceder no banho de chuveiro ........................................................ 64
19.3. Como proceder
no banho na cama............................................................. 65
19.4.
Como proceder quando a pessoa usa prótese
bucal................................... 66
19.5.
Doenças da boca.......................................................................................... 66
20.
ALIMENTAÇÃO POR SONDA (DIETA ENTERAL)......................................... 68
21.
ACOMODAÇÃO DO
PACIENTE..................................................................... 71
21.1.
Acomodando a pessoa cuidada na
cama..................................................... 71
21.2. Mudança de
posição do
corpo...................................................................... 74
21.3.
Mudança da cama para a cadeira................................................................ 75
21.4.
Quando o cuidador necessita de um ajudante para
mudar a posição do
paciente........................................................................ 76
21.5.
Ajudando a pessoa cuidada a caminhar....................................................... 77
22. EXERCÍCIOS................................................................................................... 78
22.1. Exercícios
respiratórios................................................................................. 82
22.2.
Estimulando o corpo e os
sentidos............................................................... 83
23. ADAPTAÇÕES
AMBIENTAIS......................................................................... 84
24. ÚLCERAS DE
PRESSÃO/ESCARAS/FERIDAS............................................. 86
24.1.
Como prevenir as
escaras............................................................................ 87
24.2.
Tratamento das escaras............................................................................... 89
25. SONDA
VESICAL DE DEMORA (SONDA PARA URINAR)........................... 90
25.1.
Uripen (Sonda para urinar tipo
camisinha)................................................... 91
25.2.
Cuidados no uso de uripen........................................................................... 92
26. AUXILIANDO
O INTESTINO A FUNCIONAR................................................. 93
26.1.
Ostomia........................................................................................................ 93
26.2.
Cuidados com
gastrostomia........................................................................ 94
26.3.
Cuidados com ileostomia, colostomia e
urostomia...................................... 94
26.4.
Cuidados com a
bolsa............................................................................... 95
26.5.
Quando trocar a
bolsa................................................................................ 95
26.6.
Cuidados com a bolsa da ostomia no banho............................................. 96
27.
EMERGÊNCIA NO
DOMICÍLIO.................................................................... 97
27.1.
Engasgo..................................................................................................... 97
27.2.
Queda.......................................................................................................... 98
27.3.
Convulsão.................................................................................................... 98
27.4.
Vômitos........................................................................................................ 99
27.5.
Diarréia......................................................................................................... 99
27.6.
Desidratação................................................................................................ 99
27.7.
Hipoglicemia................................................................................................ 100
27.8.
Desmaio....................................................................................................... 100
27.9.
Sangramentos............................................................................................. 101
27.10. Confusão mental
..................................................................................... 101
28.
RECONHECENDO O FIM
........................................................................... 102
29.
REFERÊNCIAS............................................................................................. 103
CURSO DE CUIDADOR PARA IDOSOS
1.
APRESENTAÇÃO
Nos últimos anos, com a melhoria das
condições sanitárias e de acesso a bens e serviços as pessoas têm vivido mais
tempo. Os avanços na área da saúde têm possibilitado que cada vez mais pessoas
consigam viver por um período mais prolongado, mesmo possuindo algum tipo de
incapacidade.
Diante da situação atual de envelhecimento da
população, aumento da expectativa de vida e o crescimento da violência, algumas
demandas são colocadas para a família, sociedade e poder público, no sentido de
proporcionar melhor qualidade de vida às pessoas que possuem alguma
incapacidade. Desta forma, a presença do cuidador nos lares tem sido mais
freqüente, havendo a necessidade de orienta-los para assumirem essa função.
O cuidador no domicílio ajuda a proporcionar
o convívio familiar, diminui o tempo de internação hospitalar e, dessa forma,
reduz as complicações decorrentes de longas internações hospitalares e um
tratamento personalizado.
O Curso de Cuidador se destina a oferecer as
melhores informações e orientações para a formação de cuidadores na atenção à
saúde das pessoas de qualquer idade, acamadas ou com limitações físicas que
necessitam de cuidados especiais.
Criamos um material didático de um modo
simples e ilustrativo, com os pontos mais comuns do cuidado no domicilio, bem
como procuramos reunir um quadro de professores preocupados em oferecer uma
educação de qualidade para que esse curso possa, definitivamente, colocar no
mercado de trabalho, profissionais competentes para atuarem nesse campo.
REGINA
AUGUSTA F.C. GOMES
2. OBJETIVO
O objetivo
do curso é o de capacitar pessoas
através de estudo, para cuidar de idosos, com ou sem limitações, nas atividades
da vida diária, identificando suas necessidades e expectativas em relação a
vários aspectos da vida cotidiana, respeitando sua individualidade,
incentivando sua autonomia e independência para garantir-lhes qualidade de
vida.
Esse
curso está voltado para o desenvolvimento de competências e habilidades
relativas à qualificação no cuidado adequado de pessoas idosas em diversas
situações e para tanto, busca desenvolver os conhecimentos teórico-práticos necessários
para a qualificação no cuidado adequado de pessoas idosas em diversas
situações, como na residência, em instituições e em momentos de recreação,
mantendo e promovendo a autonomia e a independência dos indivíduos idosos,
direcionando medidas coletivas e individuais visando o aumento do número de
anos de vida saudável e de maneira mais digna e confortável.
3. OJETIVOS ESPECÍFICOS:
Curso visa oportunizar aos alunos o desenvolvimento de competências e habilidades para a vida produtiva e social através da promoção da capacitação dos alunos, tendo em vista seu ingresso ou reingresso no mundo do trabalho.
Promover o
desenvolvimento profissional dos alunos através de aulas presenciais, material
didático de qualidade, profissionais compromissados com o ensino, avaliações
constantes e oferta de estágio para garantir a segurança do aluno nessa nova
ocupação a qual pretende.
Favorecer uma formação
profissional que agregue a aprendizagem de conhecimentos profissionais
específicos à formação para o exercício da cidadania, de forma crítica e
comprometida com o desenvolvimento pessoal e social.
4. DIREITOS
HUMANOS:
O mundo é um lugar
perigoso de se viver, não por causa daqueles
que fazem o mal, mas
sim por causa daqueles
que observam e
deixam o mal acontecer.
Todos nós, independentes da condição
social, da raça, da idade, do local onde nascemos, estamos protegidos pelos
direitos humanos simplesmente pelo fato de sermos pessoas humanas. O fundamento
dos direitos humanos baseia-se no fato de que todas as pessoas merecem igual
respeito umas das outras. Isso nos sugere que quando formos capazes de agir em
relação ao outro da mesma forma que gostaríamos de que agissem conosco,
estaremos observando um outro principio que é o da igualdade.
Por direitos humanos ou direitos da
pessoa humana podemos entender como sendo aqueles direitos correspondentes às
necessidades essenciais da pessoa humana e devem ser atendidos para que
possamos viver.
Todas as pessoas devem ter assegurado
desde o seu nascimento e durante toda a sua vida, as mínimas condições
necessárias para viver com dignidade e esses são alguns deles: o direito à
vida, à saúde, à alimentação, à educação, ao lazer, à profissionalização, à
cultura, à dignidade, ao respeito, à liberdade, à convivência familiar e
comunitária, a proteção contra a discriminação, exploração, violência,
negligência, crueldade e opressão. A vida é um direito humano fundamental,
assim como envelhecer com dignidade também.
O envelhecimento populacional é um fato
real em nossa sociedade e envelhecer não é um problema. Esse fato deve ser
entendido como um triunfo e uma grande conquista da humanidade porque estamos.
acrescentando mais anos à nossa existência e o que está faltando é dar dignidade
há esses anos que foram ganhos.
Precisamos juntar
esforços coletivos para que as pessoas que alcançaram mais anos nas suas vidas
possam viver em condições de dignidade, respeito e solidariedade.
Muitas pessoas idosas
necessitam de cuidados para continuar a viver em suas casas e na comunidade
onde estão inseridos, pois a família mudou muito nas últimas décadas e isso foi
ocasionado pelo fato da mulher, tradicional cuidadora, sair de casa para
trabalhar.
Esses
e outros fatores estão exigindo da sociedade vários rearranjos na
responsabilidade de quem cuida da pessoa idosa que precisa ser ajudada.
Hoje,
o cuidador
ou cuidadora de idosos já
é um profissional bem conhecido das nossas famílias e da sociedade moderna. No
passado, esta figura profissional era inexistente ou desconhecida e com o
aumento do número de pessoas idosas dependentes física ou mentalmente, esta
função está sendo cada vez mais requisitada pelas pessoas idosas e pelas
famílias.
Cuidador
de idoso e direitos humanos estão na mesma relação de prestar cuidado para
pessoas idosas. Por fim, queremos ressaltar o fato de que em 2014 estamos
comemorando 66 anos da Declaração Universal dos Direitos Humanos. Isso é um
fato para ser celebrado por toda a sociedade. As pessoas idosas têm direito a ter
direitos. Quem precisa de cuidados deve ter garantido esse direito.
DECLARAÇÃO UNIVERSAL DOS DIREITOS HUMANOS
Adotada e proclamada pela resolução 217 A (III)
da Assembléia Geral das Nações Unidas em 10 de dezembro de 1948
Preâmbulo
Considerando que o reconhecimento da dignidade inerente a todos os membros da
família humana e de seus direitos iguais e inalienáveis é o fundamento da
liberdade, da justiça e da paz no mundo,
Considerando que o desprezo e o desrespeito pelos direitos humanos resultaram
em atos bárbaros que ultrajaram a consciência da Humanidade e que o advento de
um mundo em que os homens gozem de liberdade de palavra, de crença e da
liberdade de viverem a salvo do temor e da necessidade foi proclamado como a
mais alta aspiração do homem comum,
Considerando essencial que os direitos humanos sejam protegidos pelo Estado de
Direito, para que o homem não seja compelido, como último recurso, à rebelião
contra tirania e a opressão,
Considerando essencial promover o desenvolvimento de relações amistosas entre
as nações,
Considerando que os povos das Nações Unidas reafirmaram, na Carta, sua fé nos
direitos humanos fundamentais, na dignidade e no valor da pessoa humana e na
igualdade de direitos dos homens e das mulheres, e que decidiram promover o
progresso social e melhores condições de vida em uma liberdade mais
ampla,
Considerando que os Estados-Membros
se comprometeram a desenvolver, em cooperação com as Nações Unidas, o respeito
universal aos direitos humanos e liberdades fundamentais e a observância desses
direitos e liberdades,
Considerando que uma compreensão
comum desses direitos e liberdades é da mais alta importância para
o pleno cumprimento desse compromisso,
A
Assembléia Geral proclama
A presente Declaração Universal dos Diretos Humanos como o ideal comum a ser
atingido por todos os povos e todas as nações, com o objetivo de que cada
indivíduo e cada órgão da sociedade, tendo sempre em mente esta Declaração, se
esforce, através do ensino e da educação, por promover o respeito a esses
direitos e liberdades, e, pela adoção de medidas progressivas de caráter
nacional e internacional, por assegurar o seu reconhecimento e a sua
observância universais e efetivos, tanto entre os povos dos próprios
Estados-Membros, quanto entre os povos dos territórios sob sua
jurisdição.
Artigo I
Todas as pessoas nascem livres e iguais em dignidade e direitos. São dotadas
de razão e consciência e devem agir em relação umas às outras com
espírito de fraternidade.
Artigo II
Toda pessoa tem capacidade para gozar os direitos e as liberdades estabelecidos
nesta Declaração, sem distinção de qualquer espécie, seja de raça, cor, sexo,
língua, religião, opinião política ou de outra natureza, origem nacional
ou social, riqueza, nascimento, ou qualquer outra condição.
Artigo
III
Toda pessoa tem direito à vida, à liberdade e à segurança pessoal.
Artigo IV
Ninguém será mantido em escravidão ou servidão, a escravidão e o tráfico de
escravos serão proibidos em todas as suas formas.
Artigo V
Ninguém será submetido à tortura, nem a tratamento ou castigo cruel,
desumano ou degradante.
Artigo VI
Toda pessoa tem o direito de ser, em todos os lugares, reconhecida como pessoa
perante a lei.
Artigo
VII
Todos são iguais perante a lei e têm direito, sem qualquer distinção, a igual
proteção da lei. Todos têm direito a igual proteção contra qualquer
discriminação que viole a presente Declaração e contra qualquer incitamento a
tal discriminação.
Artigo
VIII
Toda pessoa tem direito a receber dos tributos nacionais competentes remédio
efetivo para os atos que violem os direitos fundamentais que lhe sejam
reconhecidos pela constituição ou pela lei.
Artigo IX
Ninguém será arbitrariamente preso, detido ou exilado.
Artigo X
Toda pessoa tem direito, em plena igualdade, a uma audiência justa e pública
por parte de um tribunal independente e imparcial, para decidir de seus
direitos e deveres ou do fundamento de qualquer acusação criminal contra
ele.
Artigo XI
1. Toda
pessoa acusada de um ato delituoso tem o direito de ser presumida inocente até
que a sua culpabilidade tenha sido provada de acordo com a lei, em julgamento
público no qual lhe tenham sido asseguradas todas as garantias necessárias à
sua defesa.
2.
Ninguém poderá ser culpado por qualquer ação ou omissão que, no momento, não
constituíam delito perante o direito nacional ou internacional. Tampouco será imposta
pena mais forte do que aquela que, no momento da prática, era aplicável ao ato
delituoso.
Artigo
XII
Ninguém será sujeito a interferências na sua vida privada, na sua família,
no seu lar ou na sua correspondência, nem a ataques à sua honra e reputação.
Toda pessoa tem direito à proteção da lei contra tais interferências ou ataques.
Artigo
XIII
1. Toda
pessoa tem direito à liberdade de locomoção e residência dentro das fronteiras
de cada Estado.
2. Toda pessoa tem o direito de deixar
qualquer país, inclusive o próprio, e a este
regressar.
Artigo
XIV
1.Toda pessoa, vítima de perseguição, tem o direito de procurar e de gozar
asilo em outros países.
3.Este direito não pode ser invocado em
caso de perseguição legitimamente motivada por crimes de direito comum ou por
atos contrários aos propósitos e princípios das Nações Unidas.
Artigo XV
1.
Toda pessoa tem direito a uma nacionalidade.
2.
Ninguém será arbitrariamente privado de sua nacionalidade, nem do
direito de mudar de nacionalidade.
Artigo
XVI
1. Os homens e mulheres de maior idade, sem qualquer restrição de raça,
nacionalidade ou religião, têm o direito de contrair matrimônio e fundar uma
família. Gozam de iguais direitos em relação ao casamento, sua duração e sua
dissolução.
2. O casamento não será válido senão
com o livre e pleno consentimento dos nubentes.
Artigo
XVII
1. Toda pessoa tem direito à propriedade, só ou em sociedade com
outros.
2.Ninguém será arbitrariamente privado de sua
propriedade.
Artigo
XVIII
Toda pessoa tem direito à liberdade de pensamento, consciência e religião; este
direito inclui a liberdade de mudar de religião ou crença e a liberdade de
manifestar essa religião ou crença, pelo ensino, pela prática, pelo culto e
pela observância, isolada ou coletivamente, em público ou em particular.
Artigo
XIX
Toda pessoa tem direito à liberdade de opinião e expressão; este direito inclui
a liberdade de, sem interferência, ter opiniões e de procurar, receber e
transmitir informações e idéias por quaisquer meios e independentemente de
fronteiras.
Artigo XX
1. Toda pessoa tem direito à liberdade de reunião e associação
pacíficas.
2. Ninguém pode ser obrigado a fazer parte de
uma associação.
Artigo
XXI
1. Toda pessoa tem o direito de tomar parte no governo de seu país, diretamente
ou por intermédio de representantes livremente escolhidos.
2. Toda pessoa tem igual direito de
acesso ao serviço público do seu país.
3. A vontade do povo será a
base da autoridade do governo; esta vontade será expressa em eleições
periódicas e legítimas, por sufrágio universal, por voto secreto ou
processo equivalente que assegure a liberdade de voto.
Artigo
XXII
Toda pessoa, como membro da sociedade, tem direito à segurança social e à
realização, pelo esforço nacional, pela cooperação internacional e de acordo
com a organização e recursos de cada Estado, dos direitos econômicos, sociais e
culturais indispensáveis à sua dignidade e ao livre desenvolvimento da sua
personalidade.
Artigo
XXIII
1.Toda pessoa tem direito ao trabalho, à livre escolha de emprego, a condições
justas e favoráveis de trabalho e à proteção contra o desemprego.
2. Toda pessoa, sem qualquer
distinção, tem direito a igual remuneração por igual
trabalho.
3. Toda pessoa que trabalhe tem
direito a uma remuneração justa e satisfatória, que lhe assegure, assim como à
sua família, uma existência compatível com a dignidade humana, e a que se
acrescentarão, se necessário, outros meios de proteção
social.
4. Toda pessoa tem direito a
organizar sindicatos e neles ingressar para proteção de seus interesses.
Artigo
XXIV
Toda pessoa tem direito a repouso e lazer, inclusive a limitação razoável das
horas de trabalho e férias periódicas remuneradas.
Artigo
XXV
1.Toda
pessoa tem direito a um padrão de vida capaz de assegurar a si e a sua família
saúde e bem estar, inclusive alimentação, vestuário, habitação, cuidados
médicos e os serviços sociais indispensáveis, e direito à segurança em caso de
desemprego, doença, invalidez, viuvez, velhice ou outros casos de perda dos
meios de subsistência fora de seu controle.
2. A
maternidade e a infância têm direito a cuidados e assistência especiais.Todas
as crianças nascidas dentro ou fora do matrimônio, gozarão da mesma proteção
social.
Artigo
XXVI
1. Toda
pessoa tem direito à instrução. A instrução será gratuita, pelo menos nos graus
elementares e fundamentais. A instrução elementar será obrigatória. A instrução
técnico-profissional será acessível a todos, bem como a instrução superior,
esta baseada no mérito.
2. A
instrução será orientada no sentido do pleno desenvolvimento da personalidade
humana e do fortalecimento do respeito pelos direitos humanos e pelas
liberdades fundamentais. A instrução promoverá a compreensão, a tolerância e a
amizade entre todas as nações e grupos raciais ou religiosos, e coadjuvará as
atividades das Nações Unidas em prol da manutenção da paz.
3. Os pais têm prioridade de direito
n escolha do gênero de instrução que será ministrada a seus filhos.
Artigo
XXVII
1. Toda pessoa tem o direito de participar livremente da vida cultural da
comunidade, de fruir as artes e de participar do processo científico e de seus
benefícios.
2. Toda pessoa tem direito à
proteção dos interesses morais e materiais decorrentes de qualquer produção
científica, literária ou artística da qual seja autor.
Artigo
XVIII
Toda pessoa tem direito a uma ordem social e internacional em que os direitos
e liberdades estabelecidos na presente Declaração possam ser plenamente
realizados.
Artigo
XXIV
1. Toda pessoa tem deveres para com a comunidade, em que o livre e pleno
desenvolvimento de sua personalidade é possível.
2. No exercício de seus direitos e
liberdades, toda pessoa estará sujeita apenas às limitações determinadas pela
lei, exclusivamente com o fim de assegurar o devido reconhecimento e respeito
dos direitos e liberdades de outrem e de satisfazer às justas exigências da
moral, da ordem pública e do bem-estar de uma sociedade
democrática.
3. Esses direitos e liberdades não
podem, em hipótese alguma, ser exercidos contrariamente aos propósitos e
princípios das Nações Unidas.
Artigo
XXX
Nenhuma disposição da presente Declaração pode ser interpretada como o
reconhecimento a qualquer Estado, grupo ou pessoa, do direito de exercer
qualquer atividade ou praticar qualquer ato destinado à destruição de
quaisquer dos direitos e liberdades aqui estabelecidos.
Percebemos
que os direitos humanos abrangem todas as pessoas, idosas ou não mas, para que
qualquer lei possa cumprir os seus objetivos, é necessário que os cidadãos
tenham conhecimento dela e a pratiquem porque o direito de um termina onde
começa o do outro.
5. DIREITOS TRABALHISTAS DO CUIDADOR FORMAL
DA PESSOA IDOSA
“O prazer no trabalho aperfeiçoa a obra”.
A
atividade de Cuidador de Idosos foi recentemente classificada como ocupação
pelo Ministério do Trabalho e Emprego – MTE, passando a constar na tabela da
Classificação Brasileira de Ocupações – CBO, sob o código 5162-10.
Embora
este enquadramento não represente novos direitos trabalhistas ao cuidador de
pessoas idosas, representa grande ganho à categoria, pois é ponto inicial para
a regulamentação da atividade.
A
classificação da CBO garante que o desempenho do cuidador na atividade possa
ser comprovado junto aos órgãos oficiais, tais como, Ministério do Trabalho e
Emprego, Previdência Social, Receita Federal, IBGE, entre outros. Assim, a
atividade poderá constar nas estatísticas oficiais de forma específica e não de
forma genérica, sem as distinções que merece, como era feito até então.
Enquanto
não for aprovada legislação própria que garanta direitos específicos aos
cuidadores de idosos, estes permanecem submetidos às normas gerais, comuns a
todos os demais trabalhadores, as quais variam de acordo com a forma com que
desempenham suas atividades. Assim, primeiramente deve ser identificado o tipo
de contrato de trabalho em que se enquadra o cuidador de idosos, seja empregado
comum (celetista), autônomo ou doméstico.
Ser
reconhecido como ocupação é realmente uma conquista, mas com ela vem a
profissionalização através de cursos e uma maior exigência no comportamento
profissional.
O
Cuidador não é mais uma pessoa que “toma conta do idoso” e sim, um profissional
especializado que passou a ter obrigações e direitos específicos.
5.1.
Código 5162-10 - Cuidador de idosos
Tem
como sinônimos: “Acompanhante de idosos, Cuidador de pessoas idosas e
dependentes, Cuidador de idosos domiciliar, Cuidador de idosos institucional,
Gero-sitter”.
Sua função primária é:
Cuidar
de idosos, a partir de objetivos estabelecidos por instituições especializadas
ou responsáveis diretos, zelando pelo bem-estar, saúde, alimentação, higiene
pessoal, educação, cultura, recreação e lazer da pessoa assistida.
A CBO deixa claro que essa ocupação não integra a família 3222 – Técnicos e auxiliares de enfermagem, minimizando quaisquer dúvidas que possam ser levantadas pelos respectivos conselhos profissionais.
As condições gerais de trabalho são as seguintes:
O
trabalho é exercido em domicílios ou instituições cuidadoras [...] de idosos.
As atividades são exercidas com alguma forma de supervisão, na condição de
trabalho autônomo ou assalariado. Os horários de trabalho são variados: tempo
integral, revezamento de turno ou períodos determinados.
No
caso de cuidadores de indivíduos com alteração de comportamento, estão sujeitos
a lidar com situações de agressividade.
A CBO também descreve a formação e experiência dos
cuidadores em geral:
Essas
ocupações são acessíveis a pessoas com dois anos de experiência em domicílios
ou instituições cuidadoras públicas, privadas ou ONGs, em funções
supervisionadas de pajem, mãe-substituta ou auxiliar de cuidador, cuidando de
pessoas das mais variadas idades. O acesso ao emprego também ocorre por meio de
cursos e treinamentos de formação profissional básicos, concomitante ou após a
formação mínima, que varia da quarta série do ensino fundamental até o ensino
médio. Podem ter acesso os trabalhadores que estão sendo reconvertidos da ocupação
de atendentes de enfermagem. No caso de atendimento a indivíduos com elevado
grau de dependência, exige-se formação na área de saúde, devendo o profissional
ser classificado na função de técnico/auxiliar de enfermagem.
A(s)
ocupação(ões) elencada(s) nesta família ocupacional demanda(m) formação
profissional para efeitos do cálculo do número de aprendizes a serem
contratados pelos estabelecimentos, nos termos do artigo 429 da Consolidação
das Leis do Trabalho (CLT), exceto os casos previstos no art. 10 do Decreto
5.598/2005.
As áreas de atividades e suas especificações
envolvem:
a) Cuidar da pessoa idosa:
1- .Cuidar da aparência e
higiene pessoais.
2- .Observar os horários das atividades diárias.
3 - .Ajudar no banho, na alimentação, no andar e
nas necessidades
fisiológicas.
4 - .Estar atento às ações da pessoa idosa.
5 - .Verificar as informações dadas pela pessoa
idosa.
6 - .Informar-se do dia a dia da pessoa idosa no
retorno de sua folga.
7 - .Relatar o dia a dia da pessoa idosa aos responsáveis.
8 - .Manter o lazer e a recreação no dia a dia.
9 - .Desestimular a agressividade da pessoa idosa.
b) Promover o bem-estar:
1.Ouvir a
pessoa idosa, respeitando sua necessidade individual de falar.
2.Dar apoio
psicológico e emocional.
3.Ajudar na
recuperação da auto estima, dos valores e da afetividade.
4.Promover
momentos de afetividade.
5.Estimular a
independência.
6.Auxiliar e
respeitar a pessoa idosa em sua necessidade espiritual e religiosa.
c) Cuidar da
alimentação da pessoa idosa:
1.Participar
da elaboração do cardápio.
2.Verificar a
despensa.
3.Observar a
qualidade e a validade dos alimentos.
4.Fazer as
compras conforme lista e cardápio.
5.Preparar a
alimentação.
6.Servir a
refeição em ambientes e em porções adequadas.
7.Estimular e
controlar a ingestão de líquidos e de alimentos variados.
8.Reeducar os
hábitos alimentares.
d) Cuidar da
saúde:
1.Observar
temperatura, urina, fezes e vômitos.
2.Controlar e
observar a qualidade do sono.
3.Ajudar nas
terapias ocupacionais e físicas.
4.Ter cuidados
especiais com deficiências e dependências físicas.
5.Manusear
adequadamente.
6.Observar alterações físicas.
7.Observar
alterações de comportamento.
8.Lidar com
comportamentos compulsivos e evitar ferimentos.
9.Controlar
armazenamento, horário e ingestão de medicamentos, em domicílios.
10.Acompanhar a pessoa idosa em consultas e
atendimentos médico-
hospitalares.
11.Relatar a
orientação médica aos responsáveis.
12.Prevenir
acidentes.
13.Fazer
compras para a casa e para a pessoa idosa.
14.Administrar
finanças.
15.Cuidar da
roupa e objetos pessoais da pessoa idosa.
16.Preparar o
leito de acordo com as necessidades da pessoa idosa.
17.Seguir a
orientação médica.
e) Cuidar do
ambiente domiciliar e/ou institucional:
1.Cuidar dos
afazeres domésticos.
2.Manter o
ambiente organizado e limpo.
3.Promover adequação ambiental.
f )
Incentivar a cultura e a educação:
1.Estimular o
gosto pela música, dança e esporte.
2.Selecionar
jornais, livros e revistas.
3.Ler
histórias, textos e jornais para a pessoa idosa.
4.Organizar
biblioteca doméstica.
g)
Acompanhar em passeios, viagens e férias:
1.Planejar e
fazer passeios.
2.Listar
objetos de viagem.
3.Arrumar a
bagagem.
4.Preparar a
mala de remédios.
5.Preparar
documentos e lista de telefones úteis.
6.Preparar
alimentação da viagem com antecedência.
7.Acompanhar a
pessoa idosa em atividade sociais e culturais.
Competências
pessoais do cuidador, a CBO lista as seguintes:
1.
Manter capacidade e preparo físico, emocional e espiritual.
2.
Cuidar de sua aparência e higiene pessoais.
3.
Demonstrar educação e boas maneiras.
4.
Adaptar-se a diferentes estruturas e padrões familiares e comunitários.
5.
Respeitar a privacidade da pessoa idosa.
6.
Demonstrar sensibilidade e paciência.
7. Saber
ouvir.
8.
Perceber e suprir carências afetivas.
9.
Manter a calma em situações críticas.
10.
Demonstrar discrição.
11.
Observar e tomar resoluções.
12. Em
situações especiais, superar seus limites físicos e emocionais.
13.
Manter otimismo em situações adversas.
14.
Reconhecer suas limitações e quando e onde procurar ajuda.
15.
Demonstrar criatividade.
16.
Lidar com a agressividade.
17.
Lidar com seus sentimentos negativos e frustrações.
18.
Lidar com perdas e mortes.
19.
Buscar informações e orientações técnicas.
20.
Obedecer a normas e estatutos.
21.
Reciclar-se e atualizar-se por meio de encontros, palestras, cursos e
seminários.
22.
Respeitar a disposição dos objetos da pessoa idosa.
23.
Dominar noções primárias de saúde.
24.
Dominar técnicas de movimentação para a pessoa idosa não se
machucar.
25.
Dominar noções de economia e atividade doméstica.
26.
Conciliar tempo de trabalho com tempo de folga.
27.
Doar-se.
28.
Demonstrar honestidade.
29.
Conduta moral.
Diante
do exposto na CBO (Classificação Brasileira de Ocupação), percebemos que temos
diante de nós, educadores e educandos, uma responsabilidade mútua em apreender
o máximo possível os conteúdos, pois a função de Cuidador envolve a vida humana
muitas vezes, na situação onde o ser humano se encontra mais frágil e
vulnerável.
6. PERFIL DO CUIDADOR
Não
existe uma segunda chance de se causar uma
primeira
boa impressão.
Al Ries & Jack Trout
Cuidador é um ser humano
de qualidades especiais, expressas pelo forte traço de amor à humanidade, de
solidariedade e de doação.
A ocupação de Cuidador integra a Classificação Brasileira de
Ocupações – CBO sob o código 5162 (anexo 1), que define o Cuidador como alguém
que “cuida a partir dos objetivos estabelecidos por instituições especializadas
ou responsáveis diretos, zelando pelo bem-estar, saúde, alimentação, higiene
pessoal, educação, cultura, recreação e lazer da pessoa assistida”. É a pessoa
que presta cuidados à outra pessoa de qualquer idade, que esteja necessitando
de cuidados por estar acamada, com limitações físicas ou mentais.
Nesta perspectiva mais ampla do cuidado, o papel do Cuidador
ultrapassa o simples acompanhamento das atividades diárias dos indivíduos,
sejam eles saudáveis, enfermos e/ou acamados, em situação de risco ou
fragilidade em seus domicílios ou em hospitais, na qual necessite de atenção ou
cuidado diários.
Para abraçar esta tão nobre e humana função, o Cuidador deve
refletir sobre possuir os seguintes requisitos:
6.1.Gostar do que faz:
Para
exercer qualquer profissão, é necessário gostar do que faz. É muito importante que goste de pessoas
idosas, entender que nem sempre vai ter
uma resposta positiva pelos seus esforços, mas vai ter a alegria e satisfação
do dever cumprido.
Aprendendo a gostar do que faz a pessoa começa a deixar
de lado as eternas tensões de lutar contra o que faz. Ela aprende a enxergar o
lado positivo do seu emprego, do seu trabalho, da sua profissão. Pessoas que
vivem na busca incessante de fazer o que gostam, não se permitem enxergar o
lado positivo do que fazem, do emprego em que estão, das coisas que possuem e
até dos amigos com quem convivem. Estão o tempo todo em busca do que,
muitas vezes, nem elas próprias sabem o que é. Elas sabem do que não
gostam – e isso é quase tudo o que fazem – mas não sabe do que realmente
gostam. E essa busca, muitas vezes, dura uma vida toda de insatisfação e não
realização.
É preciso reconhecer, sem fantasias, que a vida, na
prática, mostra que pessoas que aprenderam a gostar do que fazem acabaram
descobrindo a felicidade e o sucesso de forma igualmente gratificante. Elas transformaram
o que fazem, naquilo que gostam e não desperdiçaram a vida esperando o que
gostam para fazer.
6.2. Capacidade de ser tolerante e paciente:
Deve compreender os momentos difíceis que a
família e a pessoa idosa podem estar passando, com a diminuição de sua
capacidade física e mental, de seu papel social, que pode afetar seu humor e
dificultar as relações interpessoais.
A paciência é uma virtude de manter
um controle emocional equilibrado, sem perder a calma, ao longo do tempo.
Consiste basicamente de tolerância a erros ou fatos indesejados. É a capacidade de suportar
incômodos e dificuldades de toda ordem, de qualquer hora ou em qualquer lugar.
É a capacidade de persistir em uma atividade difícil, tendo ação tranqüila e
acreditando que irá conseguir o que quer, de ser perseverante, de esperar o
momento certo para certas atitudes, de aguardar em paz a compreensão que ainda
não se tenha obtido, capacidade de ouvir alguém, com calma, com atenção, sem
ter pressa, capacidade de se libertar da ansiedade. A tolerância e a paciência
são fontes de apoio seguro nos quais podemos confiar. Ser paciente é ser
educado, ser humanizado e saber agir com calma e com tolerância. A paciência
também é uma caridade quando praticada nos relacionamentos interpessoais.
6.3. Qualidades físicas e intelectuais:
Ter
boa saúde física para ter condições de ajudar e apoiar o idoso em suas
atividades de vida diária. Também tem que ter condições de avaliar e tomar
decisões em situações de emergência que necessitam de iniciativas e ações
rápidas.
Compreende-se
por qualidades físicas: Resistência, Força, Velocidade, Agilidade, Equilíbrio,
Flexibilidade e Coordenação motora.
Por
qualidades intelectuais, para o caso de um Cuidador de Idosos, a utilização dos
conhecimentos adquiridos através de cursos de capacitação e a utilização desses
conhecimentos, associados à sua própria vivência no trabalho e na vida, como
transformador da vida de quem se cuida.
6.4.
Capacidade de observação
O
cuidador deve ficar atento às alterações que a pessoa idosa possa apresentar
tanto emocionais quanto físicas, que podem representar sintomas de alguma
doença.
Reconhecer
que cada dor é a dor de uma pessoa, com suas características: personalidade,
história, raça, contexto e momento. Algumas condições de dor não podem ser
curadas seja pelos tratamentos médicos ou auxílio psicológico. Estas são dores
complexas, profundas que envolvem paciente e família, medo, frustração e
tristeza.
O Cuidador pode deparar-se com os doentes
gravemente enfermos, com dores muito complexas e profundas, existenciais, que
se referem ao significado da vida e da morte. No estágio avançado das doenças,
qualquer dor presente, seja física, psicológica ou espiritual pode e deve ser
controlada e, se possível, abolida, visando um morrer sem sofrimento, tranquilo
e em paz.
A capacidade de observação do Cuidador
perpassa aos olhos e chega ao coração, mas nunca com pena e sim, com
profissionalismo e bondade.
6.5. Aceitar a morte como fato
natural da vida:
Em alguns casos, o idoso pode vir a falecer em decorrência de seus
problemas de saúde e isso pode não acontecer tão cedo como pode vir a ocorrer
em breve do mesmo jeito a que todos estamos sujeitos.
O Cuidador deve estar preparado para manter-se firme diante da
tristeza da família e não compartilhar do sentimento de perda de um cliente
como se fosse um ente de sua família deixando se abater demais, pois, se
pretende continuar nesta profissão, pode ser que tenha que se deparar com este
fato natural algumas vezes.
A tarefa de cuidar de uma pessoa em fase terminal de vida é
difícil e requer grande disponibilidade. Os desgastes físicos e emocionais no
cuidado ao doente, acrescido da dor da perda eminente, penalizam o cuidador.
Este pode chegar a um grave quadro de estresse.
Os Cuidadores, em todas as idades, além das dificuldades
objetivas, enfrentam também o sentimento de perda do familiar enfermo. Os
aspectos subjetivos presentes - emocionais, morais e espirituais - geram uma
vasta gama de sentimentos difíceis, desgastantes, complexos e doloridos porque
a presença da morte traz à tona a certeza da própria morte. O
atendimento domiciliar à dor total requer atenção à família e um conhecimento
do trabalho com esta. O estar na casa do paciente traz à tona a necessidade de autoconhecimento
e de força para encarar o fato como um fator natural, mas não ficar
indiferente.
6.6. Responsabilidade:
Lembrar
sempre que a família ao entregar aos seus cuidados a pessoa idosa, está lhe
confiando uma tarefa que, neste momento, está impossibilitada de realizar, mas
que espera seja desempenhada com todo o carinho e dedicação.
Como
em qualquer trabalho, a pontualidade, assiduidade e o compromisso contratual
devem ser respeitados.
Entende-se por
responsabilidade, o dever
de arcar com o próprio comportamento ou com as ações, ou seja, responsabilidade
é a obrigação de responder pelas próprias ações, e pressupõe que as mesmas se
apóiam em razões ou motivos importantes.
Os motivos das ações de um indivíduo
responsável devem fazer sentido e este deve fazer conhecer suas opiniões sem
causar transtorno, ao resto da comunidade. Ser responsável é a obrigação de
qualquer cidadão para uma vida saudável em sociedade.
Responsabilidade é você ser capaz de
cuidar de si mesmo e também de cuidar de suas coisas e de seus companheiros do
dia a dia e assumir atitudes sérias com relação ao seu trabalho e à sociedade.
7.
ÉTICA PARA O CUIDADOR DE IDOSOS:
“nascemos para ser felizes e para fazer os outros
felizes. Isto é a ética.”.
Aristóteles
Ética é um conjunto de
valores morais e princípios que norteiam a conduta humana na sociedade. A ética
serve para que haja um equilíbrio e bom funcionamento social, possibilitando
que ninguém saia
prejudicado. Neste sentido, a ética, embora não possa ser confundida com as
leis, está relacionada com o sentimento de justiça social.
Cada sociedade e cada grupo possuem seus próprios códigos
de ética e uma pessoa que não segue a ética da sociedade a qual pertence é
chamado de antiético e conseqüentemente será considerado um mau profissional.
Para os Cuidadores procuramos listar abaixo os aspectos mais
importantes sobre a ética profissional a ser seguida:
7.1. Aparência do
Cuidador:
Ter boa aparência não
é necessariamente ser parecido com artistas, é antes de tudo ter uma aparência
limpa.
O cuidador
deve sempre estar atento às suas vestimentas, pois elas devem estar limpas, ser
confortáveis, sem decotes, não serem curtas, e preferencialmente fazer uso
de um uniforme.
7.2. Higiene Pessoal do Cuidador:
Manter as
mãos sempre limpas e as unhas curtas: mãos sujas e unhas mal-cuidadas
transmitem doenças, como, por exemplo, verminoses. A contaminação ocorre de
várias formas. As principais são a ingestão de alimentos ou água contaminada e
a penetração na pele através de pequenos ferimentos. Devemos lavar bem as mãos
sempre que usar o banheiro e antes das refeições. Conservar as mãos sempre
limpas, as unhas aparadas e evitar colocar a mão na boca.
Tudo isso e mais: o aspecto das unhas conta na
apresentação de qualquer pessoa, especialmente no caso das mulheres.
O Cuidador deve se lembrar
de que ele irá cuidar da higiene e da saúde de outra pessoa e se ele não
demonstrar uma preocupação com a sua própria aparência e higiene pessoal, isso
poderá lhe render aborrecimentos, pois o paciente vai questionar sua moral.
Banho tomado, dentes
escovados, unhas limpas e curtas, pouca ou nenhuma maquiagem durante o
trabalho, evitar o uso de perfumes e cremes com cheiro muito fortes, barba
feita, cabelos curtos ou presos.
Todos esses cuidados
não só servem para demonstrar o profissionalismo como servem para manter a
saúde do Cuidador, pois as unhas e cabelos podem reter bactérias e fungos
prejudiciais a ambas as partes.
7.3. Pontualidade:
É imprescindível para
qualquer funcionário ser pontual principalmente quando ele trabalha por escala
de revezamento. O atraso, mesmo que por um bom motivo devem ser evitados, pois
isso poderá causar prejuízos para o cliente, à família e o outro funcionário.
7.4.
Postura ética:
Evitar, no trabalho,
conversar assuntos paralelos a ele; não falar mal de outros funcionários ou
membros da família (fazer fofocas); não falar mal do empregador ou do paciente,
pois isso desestrutura o ambiente de trabalho e certamente o responsável irá
detectar o foco do problema e demitir o funcionário causador ou até todos os
envolvidos. As suas dúvidas e reclamações devem ser direcionadas ao responsável
da família ou a empresa que o emprega.
7.5.
Área de trabalho:
O fato de estar
trabalhando na residência de uma pessoa é uma situação bem delicada, pois o
Cuidador deve respeitar os espaços da família e nunca adentrar nos cômodos sem
pedir licença ou bater à porta antes. O Cuidador é um funcionário e não
pertence à família e não deve compartilhar da intimidade das pessoas a não ser
a do paciente, ou seja, a única pessoa que importa ao Cuidador é quem ele
cuida.
7.6.
Educação no trato com as pessoas:
Sob hipótese alguma o
Cuidador pode fazer uso de expressões como palavrões ou fazer “piadinhas” sobre
qualquer situação. Deve manter uma postura alegre, mas sem falar ou rir alto
mesmo estando só com o paciente.
7.7.
Utilização de Aparelhos Domésticos
Telefones, televisão,
som, artigos de cozinha e alimentos e toda a utilização do espaço e dos
equipamentos da casa devem ser bem esclarecidos com o dono da casa. No
caso de Cuidadores que preparam a alimentação do paciente em uma residência em
que não haja um empregado doméstico para a limpeza, ele deve deixar tudo o que
foi usado, limpo e arrumado de preferência como encontrou e o mesmo se aplica
ao banheiro e o local onde o paciente circula como o quarto, por exemplo.
O telefone
celular do Cuidador deve ter um toque baixo e evitar seu uso nas horas em que
estiver cuidando do paciente.
7.8. Envolvimentos sentimentais particulares:
É
totalmente inadmissível o envolvimento sexual de fato ou provocativo entre o
Cuidador e qualquer membro da família. Isso caracteriza um comportamento
antiético de ambas as partes. Por isso é aconselhado ao Cuidador manter-se com
uma postura respeitosa e com roupas discretas para evitar qualquer tipo de
constrangimento com relação a isso.
7.9. Saídas e passeios:
Alguns
Cuidadores podem ser levados a passear com o cliente e ele deve manter-se
sempre atento e evitar entrar em conversas calorosas com outras pessoas
distraindo-se do paciente ou se afastando muito dele.
Evitar o
uso de calçados desconfortáveis ou com salto alto, pois isso dificulta a
mobilidade.
Nos
passeios ou saídas de acompanhamento para qualquer local, deve ser observada a
velocidade em que se anda, os perigos que podem estar sendo oferecidos nos
calçamentos, ter muita atenção nas travessias de ruas e principalmente evitar
que o cliente exponha dinheiro ou bens que possam ser roubados na rua, e
principalmente observar os horários de saída e de chegada, avisando sempre à
família aonde vão, o que vão fazer e quando vão voltar. Caso o paciente more
sozinho, procure sair em horários diurnos e que não interfiram em suas rotinas
de alimentação e remédios (se houver).
7.10. Atualização profissional:
Estar sempre bem informado
acompanhando as mudanças nos conhecimentos técnicos, legais e normativos de sua
área profissional.
Buscar
sempre novo conhecimento, competência técnica, ter respeito às pessoas, ter
tolerância, flexibilidade, fidelidade, afetividade, boas maneiras,
responsabilidade e corresponder à confiança que é depositada em você.
7.11. Religião, Política e
Esportes:
Manter sua postura
profissional acima da própria religião. Não mencionar assuntos religiosos para
evitar discussões e respeitar a convicção alheia. Caso haja muita dificuldade
de convivência em função disso, peça transferência de posto de trabalho, à sua
empresa.
O Cuidador não é um
evangelizador e não pode pretender resolver o problema do paciente com
religião, isso cabe única e exclusivamente à família por isso, evite cantigas
religiosas, fazer leituras de livros religiosos para o cliente como forma de
indução e tente relacionar-se com palavras e cumprimentos normais como bom dia
e não “paz do senhor” ou “axé”.
A sociedade criou normas e regras de
convivência comuns para que todos os indivíduos se sintam bem em qualquer
ambiente por isso, particularidades ligadas a convicções religiosas, esportivas
ou políticas devem ser reservadas ao seu próprio meio. Quando estamos inseridos
provisoriamente em qualquer ambiente, como é o caso de um posto de trabalho,
devemos evitar, em qualquer profissão ou função, a discussão sobre esses
assuntos para não causar desconforto ou antipatias entre o grupo. Esse
comportamento evita a manifestação de preconceitos e de discriminação, ou seja,
evita muitos aborrecimentos.
8.
FUNÇÕES DO CUIDADOR:
“Faça aos outros o que você gostaria que
eles fizessem a você”.
Jesus de Nazaré
O acesso ao emprego de Cuidador ocorre
por meio de cursos e treinamentos de formação profissional básico e após a
formação mínima que varia da quarta série do ensino fundamental até o ensino
médio. Podem ter acesso os trabalhadores que estão sendo reconvertidos da
ocupação de atendente de enfermagem.
A função do Cuidador é acompanhar e
auxiliar a pessoa a se cuidar, fazendo por ela somente as atividades que ela
não consiga fazer sozinha. Ressaltando sempre que não fazem parte da rotina do
Cuidador técnicas e procedimentos identificados com profissões legalmente
estabelecidas, particularmente, na área de saúde.
Esta é uma profissão de grande
responsabilidade, pois são profissionais que cuidam de bebês, crianças, jovens,
adultos e idosos, a partir de objetivos estabelecidos por instituições
especializadas ou responsáveis diretos (famílias), zelando pelo bem-estar,
saúde, alimentação, higiene pessoal, educação, cultura, recreação e lazer da
pessoa assistida.
O ato de cuidar é complexo. O cuidador
e a pessoa a ser cuidada podem apresentar sentimentos diversos e
contraditórios, tais como: raiva, culpa, medo, angústia, confusão, cansaço,
estresse, tristeza, nervosismo, irritação, choro, medo da morte e da invalidez.
Esses
sentimentos podem aparecer juntos na mesma pessoa, o que é bastante normal
nessa situação. Por isso precisam ser compreendidos, pois fazem parte da
relação do Cuidador com a pessoa cuidada. É importante que o Cuidador perceba
as reações e os sentimentos que afloram, para que possa cuidar da pessoa da
melhor maneira possível.
O
Cuidador deve compreender que a pessoa cuidada tem reações e comportamentos que
podem dificultar o cuidado prestado, como quando o cuidador vai alimentar a
pessoa e essa se nega a comer ou não quer tomar banho. É importante que o
Cuidador reconheça as dificuldades em prestar o cuidado quando a pessoa cuidada
não se disponibiliza para o cuidado e trabalhe seus sentimentos de frustração
sem culpar-se.
É
importante que o Cuidador, a família e a pessoa a ser cuidada façam alguns
acordos de modo a garantir uma certa independência tanto a quem cuida como para
quem é cuidado. Por isso, o Cuidador e a família devem reconhecer quais as
atividades que a pessoa cuidada pode fazer e quais as decisões que ela pode
tomar sem prejudicar os cuidados.
Incentivar
o idoso a cuidar de si e de suas coisas e negociar, é a chave para se ter uma
relação de qualidade entre o Cuidador, a pessoa cuidada e sua família.
O
“não”, “não quero” ou “não posso”, pode indicar várias coisas, como por
exemplo: não quero ou não gosto de como isso é feito ou, agora não quero, vamos
deixar para depois?
O
cuidador precisa ir aprendendo a entender o que essas respostas significam e
quando se sentir impotente ou desanimado, diante de uma resposta negativa, é
bom conversar com a pessoa, com a família, com a equipe de saúde e com a
empresa a qual está vinculado.
É
importante tratar a pessoa a ser cuidada de acordo com sua idade. Os adultos e
idosos não gostam quando são tratados como crianças. Mesmo doente ou com
limitações, a pessoa a ser cuidada precisa e tem direito de saber o que está
acontecendo ao seu redor e de ser incluída nas conversas. Por isso é importante
que a família e o Cuidador continuem compartilhando os momentos de suas vidas,
demonstrem o quanto a estimam, falem de suas emoções e sobre as atividades que
fazem, mas acima de tudo, é muito importante escutar e valorizar o que a pessoa
fala.
Cada
pessoa tem uma história que lhe é particular e intransferível, e que deve ser
respeitada e valorizada.
Muitas
vezes, a pessoa cuidada parece estar dormindo, mas pode estar ouvindo o que
falam a seu redor. Por isso, é fundamental respeitar a dignidade da pessoa
cuidada e não discutir em sua presença, fatos relacionados com ela, agindo como
se ela não entendesse, não existisse, ou não
estivesse presente. Isso vale tanto para o Cuidador e família como para os
amigos e profissionais de saúde.
Encoraje
o riso. O bom humor é uma boa maneira de contornar confusões e mal entendidos.
8.1. Tarefas que fazem parte da
rotina do Cuidador:
Em
todos os setores de trabalho existem tarefas que fazem parte da rotina as quais
devemos sempre ter em mente e domina-las e não é diferente com a função de
Cuidador e, listamos abaixo a maior parte delas:
a)
Atuar como elo entre a pessoa cuidada, a família e a equipe de saúde.
b)
Escutar, estar atento e ser solidário com a pessoa cuidada.
c)
Ajudar nos cuidados de higiene.
d)
Estimular e ajudar na alimentação.
e)
Ajudar na locomoção e atividades físicas, tais como: andar, tomar sol e
exercícios físicos.
f)
Facilitar e estimular a
comunicação com a pessoa idosa, conversando e ouvindo-a, acompanhando-a em seus
passeios e incentivando-a a realizar exercícios físicos, sempre que autorizados
pelos profissionais de saúde, e a participar de atividades de lazer. Desta
forma, ajudará a sua inclusão social e a melhorar sua saúde.
g)
Realizar mudanças de posição na cama e na cadeira, e massagens de conforto;
h)
Administrar as medicações de forma oral, conforme a prescrição e orientação da
equipe de saúde.
i)
Comunicar à equipe de saúde sobre mudanças no estado de saúde da pessoa
cuidada.
j) Não
tratar os idosos como doentes apenas por serem mais velhos;
k) Não
chame o Idoso de “vôzinho” ou “vózinha”. Chame sempre o idoso pelo nome ou de
senhor, senhora;
l) Não use
diminutivos ou aumentativos como “perninha”, “pezinho”, “bração” e etc.;
m) As
atividades propostas devem estar de acordo com a vontade do idoso. Nem toda
pessoa idosa gosta de “baile da terceira idade, jogar baralho ou dominó”;
n)
Acompanhar
a pessoa idosa aos exames, consultas e tratamentos de saúde, e transmitir
aos profissionais de saúde as mudanças no comportamento, humor ou aparecimento
de alterações físicas (temperatura, pressão, sono, etc.);
o) Estimular a
autossuficiência da pessoa idosa, por isto, o cuidador deverá, sempre que
possível, fazer
com ela e não para ela;
p) Ajudar nas atividades
domésticas (cozinhar, lavar, limpar, passar ferro);
q) Assistir a pessoa idosa
a movimentar-se dentro de sua casa;
r) Se for
solicitado pela família ou se idoso morar só e for à vontade dele, o Cuidador
pode ajudar
na administração do dinheiro e bens;
s) Procura proporcionar
conforto e tranqüilizar a pessoa idosa em situações de crise (por exemplo,
quando fica agitado ou ansioso);
t) Ajudar na comunicação
com os outros, quando existem dificuldades para expressar-se.
Nas situações de ajuda, auxiliamos
as pessoas idosas a enfrentar e a superar uma situação de crise que podem se
manifestar de maneiras diferentes explícitas e/ou penosas porque a capacidade e
o limite de cada idoso são particulares, cabendo ao Cuidador à habilidade de
reconhecê-los.
A principal parte da relação de
ajuda é a dimensão afetiva do problema, pois ao Cuidador cabe auxiliar o idoso
a compreender-se e a fazer escolhas de forma independente e significativa para
que suas relações sejam mais satisfatórias. Essa relação visa à melhoria da autoestima,
à realização de conforto psicológico e ao fornecimento do apoio necessário para
o conforto diante das dificuldades existenciais.
8.2. Escutar não é ouvir!
Escutar não é sinônimo de “ouvir”.
Na relação de ajuda, escutar representa um instrumento para compreender a
pessoa idosa de forma a poder determinar com precisão as intervenções
necessárias. Ao escutar a pessoa idosa, o Cuidador pretende mostrar-lhe sua
importância; permitir que o idoso identifique suas emoções; auxilia-lo na
identificação das suas necessidades e na elaboração de um planejamento objetivo
e eficaz para atender a elas.
Ouvir
ativamente, observar e olhar cuidadosamente o seu interlocutor são habilidades
importantes, porque desta forma você poderá conquistar a confiança do idoso.
8.3. A qualidade da paciência:
Nossa
mente é capaz de ouvir com velocidade 4 ou 5 vezes maior do que a da fala. O
tempo ocioso decorrente dessa diferença é a principal causa de nossa
impaciência. A solução aqui consiste em utilizar esse tempo diferencial para
aprofundar a compreensão, elaborar associações e estabelecer correlações com o
material já arquivado em nossa memória. Teremos assim já obtido um resultado
bem melhor somente a partir de um processo de escuta eficaz.
8.4. Evitar a reação imediata:
Elaborar
o que se ouve é bem diferente do que ficar procurando respostas, sejam elas
concordantes ou discordantes. Reagir é não ouvir. Se o caso for de responder a
perguntas, então é fundamental que se saiba utilizar o tempo interno para
buscar alternativas. Caso contrário teremos já uma resposta pronta que, sem
dúvida estará disponível no diálogo interno e dificilmente trará algo
diferente, atual, construtivo ou criativo.
8.5. O controle das emoções:
Administrar
nosso processo emocional não significa reprimir ou inibir nossas emoções. Pelo
contrário, é muito importante que saibamos dar espaço para que elas se
manifestem de forma natural. Há situações muito freqüentes em que coisas que se
ouvem agridem pontos duros de nosso campo emocional, como velhas cicatrizes e
valores arraigados. Nesse caso é necessário descobrir alguns desses pontos e
tratar de sensibiliza-los a fim de que materiais importantes não sejam perdidos
pela surdez emotiva.
8.6. Focalizar o interlocutor:
Olhar
atentamente para quem fala é uma postura que, além de favorecer a recepção,
valoriza quem fala.
Para
escutar de modo eficiente o Cuidador deve:
-
escolher
um local calmo que propicie a escuta;
-
manter-se
a uma distância confortável do idoso, mas que permita boa visualização de
ambos;
-
evitar
julgamentos com base em valores pessoais;
-
respeitar,
compreender e interpretar o silêncio da pessoa idosa.
COMPORTAMENTO NÃO VERBAL POSSÍVEIS SIGNIFICADOS E INDICAÇÕES
Balançar
das pernas
Impaciência
Urgência
Perda de
interesse
Franzimento
da testa
Desaprovação
Tristeza
Perda de entendimento
Olhando no
vazio Distração
Impaciência
Perda de interesse
Inclinação
do corpo para frente Fascinação
Concentração
Interesse
Balançar a
cabeça
Aprovação
Encorajamento
Entendimento
Arquear as
sobrancelhas
Descrença ou Incredulidade
Encorajamento
Entendimento
Permanecer
em silencio Concentração
Interesse
Respeito
Desassossego
e Inquietação Perda de interesse
Desconforto
Prolixidade e Enfadonho
Esses aspectos podem ser de utilidade,
mas não são para os idosos e sim para o Cuidador, pois o idoso pode manifestar
um ou vários comportamentos não verbais apenas em função de seus problemas de
saúde.
8.7. O Respeito
O respeito é uma necessidade humana,
uma qualidade, um valor, uma atitude básica expressada pelo comportamento.
Respeitar o idoso significa comunicar-lhe que procuramos compreende-lo como
pessoa, com sua experiência, seus valores e a situação que está vivenciando de
acordo com seu ponto de vista. Significa ainda identificar suas capacidades e
auxilia-lo a reconhecê-los e utiliza-los para lidar com as situações.
O respeito se manifesta por meio de
atitudes e comportamentos por isso é importante considerar o idoso como ser
único, independente de suas doenças e limitações e acreditar que ele é capaz de
decidir sobre algumas coisas que não comprometam a sua saúde física.
É importante saber respeitar para
que sejamos respeitados e isso envolve todas as pessoas as quais interagimos. A
partir do momento em que nos comportamos mal (gritamos, xingamos) a outra parte
se vê no direito de fazer o mesmo então, devemos fazer um esforço para nos
manter dentro de um padrão de comportamento até que isso se torne uma coisa
natural em nós.
8.8. O Cuidador e a família do paciente
Estar inserido em uma família como
empregado nem sempre é uma tarefa fácil. Todos temos nosso jeito de ser e de
falar e sempre haverá, para o Cuidador e para a família, um tempo para a
adaptação.
É necessário que haja um bom diálogo
entre as partes para que a função de cada um possa ser positiva em função do
cliente e por isso listamos alguns fatos para orientação do Cuidador:
A família ajuda quando:
•
auxilia no cuidado para com a pessoa idosa;
• supervisiona as suas
funções, sem interferir, dando-lhe condições para realizar o seu trabalho;
•
reconhece seus direitos e deveres;
•
trata-o como um profissional respeitando os seus direitos trabalhistas;
•
incentiva e dá oportunidade para o cuidador se capacitar.
A
família dificulta o trabalho, quando:
•
abandona a pessoa idosa ou fica ausente às necessidades dela;
•
interfere em seu trabalho, impossibilitando ou atrapalhando suas funções;
•
coloca-o no meio das disputas familiares;
•
quando determina que realize tarefas que não são de sua competência e nem
inerentes a sua atividade;
•
não respeita o acordo trabalhista firmado.
9. CUIDANDO DO CUIDADOR
“Não
são as ervas más que sufocam a boa semente
e sim a negligência do
lavrador”.
Confúcio.
A tarefa de cuidar de alguém geralmente se soma às outras
atividades do dia-a-dia e o Cuidador fica sobrecarregado, pois muitas vezes
assume sozinho a responsabilidade pelos cuidados do cliente.
Diante dessa situação, é comum o cuidador passar por cansaço
físico, depressão, alterações na vida conjugal e familiar.
A tensão e o cansaço sentidos pelo cuidador são prejudiciais não
só a ele, mas também à família e à própria pessoa cuidada.
O cuidador deve contar com a ajuda de outras pessoas da sua
família, amigos ou vizinhos, definir dias e horários para cada um assumir parte
dos cuidados com filhos, por exemplo.
Essa parceria permite ao
cuidador ter um tempo livre para se cuidar, se distrair e recuperar as energias
gasta no ato de cuidar do outro; peça ajuda sempre que algo não estiver bem.
É fundamental que o cuidador reserve alguns momentos do seu dia de
folga para se cuidar, descansar, relaxar e praticar alguma atividade física e
de lazer.
.
O cuidador pode se exercitar e se distrair de diversas maneiras,
como por exemplo:
- Enquanto assiste TV:
movimente os dedos das mãos e dos pés, faça massagem nos pés com ajuda das
mãos, rolinhos de madeira, bolinhas de borracha ou com os próprios pés;
- Sempre que possível, aprenda uma
atividade nova ou aprenda mais sobre algum assunto que lhe interessa.
- Leia participe de atividades de
lazer em seu bairro, faça novos amigos e peça ajuda quando precisar.
Se o Cuidador está vinculado a uma empresa, esta pode auxilia-lo.
Dicas
de exercícios para o cuidador
1)
Exercícios para a coluna cervical (pescoço):
•
Flexione a cabeça até encostar o queixo no peito, depois estenda a cabeça para
trás como se estivesse olhando o céu.
•
Gire a cabeça primeiro para um lado e depois para o outro.
•
Incline a cabeça lateralmente, para um lado e para outro, como se fosse tocar a
orelha no ombro.
2)
Exercícios para os ombros: enchendo os pulmões de ar, levante os ombros para
próximo das orelhas, solte o ar deixando os ombros caírem rapidamente, depois
fazendo movimentos circulares, gire os ombros para frente e para trás.
3)
Exercícios para os braços: gire os braços esticados para frente e para trás,
fazendo círculos.
4)
Exercícios para o tronco: em pé, apóie uma das mãos no encosto de uma cadeira
ou na própria cintura, levante o outro braço passando por cima da cabeça,
incline lateralmente o corpo. Repita o mesmo movimento com o outro lado.
5)
Exercícios para as pernas: deitado de barriga para cima apóie os pés na cama
com os joelhos dobrados. Mantendo uma das pernas nessa posição, segure com as
mãos a outra perna e traga o joelho para próximo do peito. Fique nesta posição
por alguns segundos e volte para a posição inicial. Faça o mesmo exercício com
a outra perna.
Dica: faça atividades físicas, como
caminhadas e alongamentos, pois isso ajuda a reduzir o cansaço, tensão e
esgotamento físico e mental, além de melhorar a circulação.
10. O CUIDADOR E A EQUIPE DE SAÚDE
"Com talento ganhamos partidas; com trabalho em
equipe e inteligência ganhamos campeonatos."
(Michael
Jordan)
O Cuidador é a pessoa designada pela família para atender o idoso
e não é um profissional de saúde, por isso não deve executar
procedimentos técnicos que sejam de competência dos profissionais de saúde,
tais como: aplicações de injeção no músculo ou na veia, curativos complexos,
instalação de soro e colocação de sondas, etc.
As atividades que o cuidador vai realizar devem ser planejadas
junto aos profissionais de saúde e com os familiares.
Nesse planejamento deve ficar claro para todas as atividades que o
cuidador pode e deve desempenhar.
É bom escrever as rotinas e definir bem quem se responsabiliza
pelas tarefas. É importante que a equipe deixe claro ao Cuidador quais
procedimentos ele não pode e não deve fazer, em que momento ele deve chamar os
profissionais de saúde e como reconhecer sinais e sintomas de perigo. As ações
serão planejadas e executadas de acordo com as necessidades da pessoa a ser
cuidada e dos conhecimentos e disponibilidade do cuidador.
A parceria entre os profissionais e os cuidadores deverá
possibilitar a sistematização das tarefas a serem realizadas no próprio
domicílio, privilegiando-se aquelas relacionadas à promoção da saúde, à
prevenção de incapacidades e à manutenção da capacidade funcional da pessoa
cuidada e do seu Cuidador, evitando-se assim, na medida do possível,
hospitalização, asilamentos e outras formas de segregação e isolamento.
11. VIOLÊNCIA E MAUS TRATOS CONTRA A PESSOA IDOSA
Qual
seria a sua idade se você não soubesse
quantos
anos você tem?
(Confúcio)
O
Estatuto do Idoso (Lei 10.741/2003) consagrou os direitos da pessoa idosa, mas
existem ações e omissões que contrariam esses direitos.
O tema
da “Violência Contra a Pessoa Idosa” contraria tudo o que foi conquistado no
Estatuto do Idoso. Por isso, esta reflexão tem como parâmetro à cidadania, a
saúde pública, a promoção da saúde e a qualidade de vida.
Desta
forma, quando falamos de violência queremos dizer que é possível preveni-la e
reduzi-la. Pretendemos mostrar que existem ações e omissões que contrariam os
direitos, mas são passíveis de serem superadas, quando a sociedade, as
comunidades e as famílias buscam respeitar as pessoas idosas.
De
acordo com a Organização Mundial de Saúde, os maus-tratos aos idosos podem ser
definidos como:
-
Ações ou omissões cometidas uma vez ou muitas vezes, prejudicando a integridade física e
emocional da pessoa idosa, impedindo o desempenho de seu papel social.
A
violência acontece como uma quebra de expectativa positiva da pessoa idosa em relação àquelas que
as cercam, sobretudo os filhos, cônjuges, parentes, cuidadores, a comunidade e
a sociedade em geral e compreende:
•
abusos físicos;
•
abusos psicológicos;
•
abandonos;
•
negligências;
•
abusos financeiros;
•
autonegligências.
Os
abusos físicos constituem a maior parte das queixas das pessoas idosas e
costumam acontecer no seio da família, na rua, nas instituições de prestação de
serviços, dentre outros espaços. Às vezes, o abuso físico resulta em lesões e
traumas que levam à internação hospitalar ou produzem como resultado a morte da
pessoa.
Outras
vezes ele é quase invisível. As estatísticas mostram que, por ano, cerca de 10%
das pessoas idosas brasileiras morrem por homicídio. E a incidência comprovada
de abusos físicos no mundo está entre 5% a 10%, dependendo da cultura local.
O
abuso psicológico corresponde a todas as formas de menosprezo, de desprezo e de
discriminação que provocam sofrimento mental. Por exemplo, ele ocorre quando
dizemos à pessoa idosa, expressões como essas: “Você já não serve para nada”;
“você já deveria ter morrido mesmo”; “você já é a bananeira que deu cacho” ou
coisas semelhantes. Há muitas formas de manifestação do abuso psicológico: às
vezes, o fazemos com palavras e outras com atos.
Estudos
médicos mostram que o sofrimento mental provocado por esse tipo de maus tratos
pode provocar depressão e levar ao suicídio. É importante ressaltar, em relação
a abusos psicológicos, que os muito pobres e dependentes financeira, emocional
e fisicamente são os que mais sofrem. Isso ocorre, no caso dos doentes, porque
eles não podem dominar seu corpo ou sua mente e no caso dos muito pobres,
porque não têm dinheiro para se sustentar, sendo considerados um peso para
muitas famílias.
O
abandono é uma das maneiras mais perversas de violência contra a pessoa idosa e apresenta várias
facetas. As mais comuns constatadas pelos Cuidadores e pelos órgãos públicos
que notificam as queixas:
-
colocá-la
num quartinho nos fundos da casa retirando-a do convívio com outros membros da
família e das relações familiares;
-
conduzi-la
a um abrigo ou a qualquer outra instituição de longa permanência contra a sua
vontade, para se livrar da sua presença na casa, deixando a essas entidades o
domínio sobre sua vida, vontade, saúde e seu direito de ir e vir; permitir que
o idoso sofra fome e passe por outras necessidades básicas.
Outras
formas também bastante freqüentes de abandono são as que dizem respeito à
ausência de cuidados, de medicamentos e de alimentação aos que têm alguma forma
de dependência física, econômica ou mental, antecipando sua imobilidade,
aniquilando sua personalidade ou mesmo promovendo seu lento adoecimento e
morte.
Negligência
é outra categoria importante para explicar as várias formas de menosprezo e de
abandono. Há vários tipos de negligências que ocorrem cotidianamente no
atendimento dos serviços de saúde. É o caso das longas esperas em filas, dos
pedidos de exames que demoram meses, quando as doenças vão avançando de forma
degenerativa, por exemplo.
Há
também os abusos financeiros que se referem, principalmente, às disputas de
familiares pela posse dos bens ou a ações criminosas cometidas por órgãos
públicos e privados em relação às pensões, aposentadorias e outros bens da
pessoa idosa e os estudos mostram que no mundo inteiro as pessoas idosas são
vítimas de abusos financeiros.
Pesquisa
do Instituto Brasileiro de Ciências Criminais comprova que mais de 60% das
queixas desse grupo à polícia tiveram essa causa. Também em delegacias de
outros locais do país o mesmo problema foi constatado e foram cometidos por
familiares em tentativas de conseguir por força, procurações para ter acesso a
bens patrimoniais dos mais velhos; na realização de vendas de seus bens e imóveis sem o
consentimento deles; por meio da expulsão do idoso de seu espaço físico e
social no qual viveram até então, ou por seu confinamento em algum aposento
mínimo em residências que por direito lhe pertence, dentre outras formas de
coação. Tais atos e atitudes dos filhos e de outros parentes visam, quase
sempre, a tomada de bens, objetos e rendas, sem o consentimento desses
proprietários.
Mas não
é apenas a partir das famílias que os abusos econômicos e financeiros contra
pessoas idosas ocorrem. Eles estão presentes também nas relações do próprio
estado, frustrando expectativa de direitos ou se omitindo na garantia dos
mesmos e acontecem, freqüentemente, nos trâmites de aposentadorias e pensões e,
sobretudo, nas demoras de concessão ou correção de benefícios devidos, mesmo
quando desde 1994, a Lei 8.842 lhes garante prioridade no atendimento em órgãos
públicos e privados, em instituições prestadoras de serviços e em suas
necessidades assistenciais. Nas delegacias de atenção e proteção ao idoso e nos
núcleos de atendimento do Ministério Público, uma das solicitações mais comuns
é que esses agentes colaborem na solução de problemas com aposentadorias e
pensões.
Os
policiais das delegacias de proteção ao idoso assinalam a freqüência de suas
queixas sobre roubo de cartões, cheques, dinheiro e objetos, de forma violenta
ou sorrateira.
Por
fim, falaremos da autonegligência que conduz ou à morte lenta, ou à tentativa
de suicídio e mesmo, à autodestruição. A Organização Mundial de Saúde trabalha
com o conceito de suicídio e tentativa de suicídio, como sendo formas radicais
de autonegligência. Ou seja, neste caso, não se trata do “outro” que abusa, mas
do idoso que se maltrata. O que não quer dizer que, freqüentemente atitudes de
autodestruição não sejam decorrência de negligências, abandonos e outros tipos
de maus-tratos.
Geralmente,
a autonegligência ocorre quando a pessoa idosa está tão desgostosa da vida, que
pára de comer direito, pára de tomar remédio, pára de comer direito, pára de
tomar remédio, pára de cuidar de sua aparência física, pára de se comunicar,
manifestando clara ou subliminarmente à vontade de morrer.
No
Brasil, os processos de autonegligência quase não são notificados, o que não
quer dizer que inexistam. É importante que estejamos atentos, pois, embora as
taxas de suicídio da população brasileira – que seriam o indicador mais cabal
de autonegligência ou de autodestruição – sejam relativamente baixas,
observamos um crescimento leve, mas persistente desse fenômeno nas faixas
etárias das pessoas idosas. Os índices de ocorrência já são o dobro da média
nacional.
11.1.
Violência contra a pessoa idosa – O que fazer?
Muita
coisa pode ser feita para minimizar, reduzir ou cessar a violência contra a
pessoa idosa. Os diversos abusos, as violências, as negligências, as violações
dos direitos, as discriminações e os preconceitos que as pessoas idosas sofrem
na vida cotidiana precisam ser prevenidos e superados.
Não
podemos concordar que pessoas idosas sejam desrespeitadas e nem maltratadas.
Isso não pode ocorrer no silêncio dos lares e nem tampouco na vida pública.
Pessoas idosas, a sociedade civil e o Estado precisam ser parceiras para o
rompimento do pacto do silêncio que ainda impera na violência à pessoa idosa.
A
intervenção para a superação da violência requer de todos os atores um
envolvimento ético, criterioso e baseado na prática do respeito e da dignidade
humana.
A
seguir trazemos alguns princípios que podem orientar a intervenção:
1. Toda pessoa idosa, até que se prove o
contrário, é competente para tomar decisões sobre a sua vida. Deve-se respeitar
o principio da autonomia – capacidade de decidir – da pessoa idosa.
Envelhecimento não é sinônimo da perda do poder de decisão.
2.
A
melhor forma de intervir na violência é a prevenção, oferecendo recursos
eficientes e adequados para que as pessoas idosas, famílias, cuidadores,
instituições e profissionais possam identificar e intervir na violência.
3. Quando houver a
suspeita da ocorrência de violência contra a pessoa idosa, lembrar que a suspeita por si só não é prova
da existência da violência. É preciso investigar para se chegar à confirmação
dos fatos.
4.
Todas
as pessoas da sociedade devem dar a sua colaboração, principalmente os
profissionais da saúde, da assistência social, do direito e da justiça, etc. É
imprescindível o estabelecimento de
critérios éticos para evitar incômodos ou danos à pessoa idosa que já está
passando por situações difíceis e constrangedoras.
5.
Avaliar
o risco de vida ou lesão grave para a vítima e decidir sobre a necessidade ou
não de uma intervenção urgente.
6.
Promover uma intervenção que considere e leve em conta a figura do
agressor.
11.2. Proteção à pessoa cuidada
Pessoas com limitações físicas ou que estejam confusas,
desorientadas no tempo ou no lugar não podem ser deixadas sozinhas, pois podem
se envolver em acidentes, dentro ou fora de casa.
O cuidador e a família devem organizar o ambiente da casa de forma
a prevenir os acidentes:
•
Objetos pontiagudos, cortantes, quebráveis, pesados ou aqueles muito pequenos
devem ser removidos do ambiente ou guardados em local seguro.
•
A pessoa cuidada não deve executar sozinha, atividades na cozinha, pois esse é
o local da casa onde mais ocorrem acidentes.
•
Os produtos de limpeza devem ser mantidos em armários fechados.
•
O piso da casa deve ser preferencialmente, antiderrapante e não deve ser
encerado.
•
No armário do banheiro devem ser guardados apenas os objetos de higiene de uso
diário, como pente, escova de dente, sabonete.
•
A cama deve estar encostada na parede e se possível ter uma proteção lateral.
•
Mantenha no mesmo lugar os objetos de uso freqüente, assim é mais fácil
encontrá-los quando precisar.
11.3. Maus tratos
Maus tratos são atos ou omissões que causem dano,
prejuízo, aflição, ou ameaça à saúde e bem-estar da pessoa. O mau trato pode
ocorrer uma única vez ou se tornar repetitivo, pode variar de uma reação
brusca, impensada, até uma ação planejada e contínua e causar sofrimento físico
ou psicológico à pessoa cuidada. Os maus tratos tanto podem ser praticados pelo
cuidador, por familiares, amigos, vizinhos, como por um profissional de saúde.
Os maus tratos podem estar
relacionados a diversas causas, tais como: conflitos familiares, incapacidade
técnica do cuidador em desempenhar as atividades adequadamente, problemas de
saúde física ou mental da pessoa cuidada ou do cuidador, desgaste físico e
emocional devido à tarefa de cuidar, problemas econômicos, etc.
A violência e os maus
tratos podem ser físicos, psicológicos, sexuais, abandono, negligências, abusos
econômico-financeiros, omissão, violação de direitos e autonegligência.
a) Abusos físicos, maus
tratos físicos ou violência física - são ações que se referem ao uso da força física como beliscões,
puxões, queimaduras, amarrar os braços e as pernas, obrigar a tomar calmantes
etc.
b) Abuso psicológico,
violência psicológica ou maus tratos psicológicos – correspondem a agressões
verbais ou com gestos, visando aterrorizar e humilhar a pessoa, como ameaça de
punição e abandono, impedir a pessoa de sair de casa ou trancá-la em lugar
escuro, não dar alimentação e assistência médica, dizer frases como “você é
inútil”, “você só dá trabalho” etc.
c) Abuso sexual, violência
sexual –
é o ato ou jogo de relações de caráter hétero ou homossexual, sem a permissão
da pessoa. Esses abusos visam obter excitação, relação sexual ou práticas
eróticas por meio de convencimento, violência física ou ameaças.
d) Abandono – é uma forma de violência
que se manifesta pela ausência de responsabilidade em cuidar da pessoa que
necessite de proteção, seja por parte de órgãos do governo ou de familiares,
vizinhos amigos e cuidador.
e) Negligência – refere-se à recusa ou
omissão de cuidados às pessoas que se encontram em situação de dependência ou
incapacidade, tanto por parte dos responsáveis familiares ou do governo. A
negligência freqüentemente está associada a outros tipos de maus tratos que
geram lesões e traumas físicos, emocionais e sociais.
f) Abuso econômico/financeiro
–
consiste na apropriação dos rendimentos, pensão e propriedades sem autorização
da pessoa. Normalmente o responsável por esse tipo de abuso é um familiar ou
alguém muito próximo em quem à pessoa confia.
g) Autonegligência – diz respeito às condutas
pessoais que ameacem a saúde ou segurança da própria pessoa. Ela se recusa a
adotar cuidados necessários a si mesmo, tais como: não tomar os remédios
prescritos, não se alimentar, não tomar banho e escovar os dentes, não seguir
as orientações dadas pelo cuidador ou equipe de saúde.
11.4. O que o cuidador pode fazer
diante de situações de maus tratos
a) Ter consciência de que
maus tratos existem e que têm um efeito destrutivo na qualidade de vida das pessoas.
b) Refletir diariamente se,
mesmo sem querer, realizou algum ato que possa ser considerado como maus
tratos, procurando desculpar-se junto à pessoa cuidada. Identificar as razões e
buscar a ajuda da equipe de saúde.
c) Caso assista ou tenha
conhecimento de alguma forma de maus tratos à pessoa cuidada, denunciar, esse
fato.
Nas
situações de violência é muito importante considerar os fatores que envolvem a
família, o agressor – pode ser o próprio cuidador - e a pessoa idosa.
As
violências não ocorrem de forma desvinculada das relações familiares. A
intervenção deve ser feita considerando-se a complexidade destes fatores.
É importante
lembrar:
Além
desses princípios orientadores, e sempre que o Cuidador presenciar a pessoa
idosa sofrer maus tratos, de familiares ou de terceiros, ela mesma deve
contatar a empresa a qual está vinculada e expor o fato.
Toda
delegacia de segurança pública deve estar preparada e treinada para atender as
situações de violência contra a pessoa idosa, assim como os profissionais de
saúde das unidades de saúde da cidade.
Em
caso de dúvidas sobre direitos violados de algum cliente, oriente-se primeiro
com a empresa a qual está vinculada.
12. ESTATUTO DO IDOSO – PARTES
Cada idade tem a sua beleza e essa beleza
deve sempre ser uma
liberdade.
O
Estatuto do Idoso foi criado em 1o de
outubro de 2003 e é destinado a regular os direitos assegurados às pessoas com idade
igual ou superior a 60 (sessenta) anos e é uma lei.
Abaixo,
transcrevemos os Artigos mais importantes para quem cuida de idosos:
a)
Art. 2o O
idoso goza de todos os direitos fundamentais inerentes à pessoa humana, sem
prejuízo da proteção integral de que trata esta Lei, assegurando-se lhe, por
lei ou por outros meios, todas as oportunidades e facilidades, para
preservação de sua saúde física e mental e seu aperfeiçoamento moral,
intelectual, espiritual e social, em condições de liberdade e dignidade.
b)
Art. 3o É
obrigação da família, da comunidade, da sociedade e do Poder Público assegurar
ao idoso, com absoluta prioridade, a efetivação do direito à vida, à saúde, à
alimentação, à educação, à cultura, ao esporte, ao lazer, ao trabalho, à
cidadania, à liberdade, à dignidade, ao respeito e à convivência familiar e comunitária.
c) Parágrafo
único. A garantia de prioridade compreende:
I
– atendimento preferencial imediato e individualizado junto aos órgãos públicos
e privados prestadores de serviços à população;
II – preferência na formulação e na
execução de políticas sociais públicas específicas;
II – destinação privilegiada de recursos públicos nas áreas
relacionadas com a proteção ao idoso;
IV – viabilização de formas alternativas de participação, ocupação e
convívio do idoso com as demais gerações;
V
– priorização do atendimento do idoso por sua própria família, em detrimento do
atendimento asilar, exceto dos que
não a possuam ou careçam de condições de manutenção da própria
sobrevivência;
VIII – garantia de acesso à rede de
serviços de saúde e de assistência social locais.
d) Art. 4o Nenhum
idoso será objeto de qualquer tipo de negligência, discriminação, violência,
crueldade ou opressão, e todo atentado aos seus direitos, por ação ou omissão,
será punido na forma da lei.
§ 1o É dever
de todos prevenir a ameaça ou violação aos direitos do idoso.
Art. 6o Todo cidadão tem o dever de comunicar à autoridade competente
qualquer forma de violação a esta Lei que tenha testemunhado ou de que tenha
conhecimento.
e)
Art. 8o O
envelhecimento é um direito personalíssimo e a sua proteção um direito social, nos
termos desta Lei e da legislação vigente.
Art.
9o É
obrigação do Estado, garantir à pessoa idosa a proteção à vida e à saúde,
mediante efetivação de políticas sociais públicas que permitam um
envelhecimento saudável e em condições de dignidade.
f) Art. 10. É obrigação do
Estado e da sociedade, assegurar à pessoa idosa a liberdade, o respeito e a
dignidade, como pessoa humana e sujeito de direitos civis, políticos,
individuais e sociais, garantidos na Constituição e nas leis.
§ 1o O direito à
liberdade compreende, entre outros, os seguintes aspectos:
I
– faculdade de ir, vir e estar nos logradouros públicos e espaços comunitários,
ressalvadas as restrições legais;
II – opinião e expressão;
III – crença e culto religioso;
IV – prática de esportes e de
diversões;
V – participação na vida familiar e
comunitária;
VI – participação na vida política, na
forma da lei;
VII – faculdade de buscar refúgio,
auxílio e orientação.
§
2o O
direito ao respeito consiste na inviolabilidade da integridade física, psíquica
e moral, abrangendo a preservação da imagem, da identidade, da autonomia, de
valores, idéias e crenças, dos espaços e dos objetos pessoais.
§ 3o É dever de todos
zelar pela dignidade do idoso, colocando-o a salvo de qualquer tratamento desumano, violento, aterrorizante,
vexatório ou constrangedor.
g)
Art. 15. É
assegurada a atenção integral à saúde do idoso, por intermédio do Sistema Único
de Saúde – SUS, garantindo-lhe o acesso universal e igualitário, em conjunto
articulado e contínuo das ações e serviços, para a prevenção, promoção,
proteção e recuperação da saúde, incluindo a atenção especial às doenças que
afetam preferencialmente os idosos.
Art. 16. Ao idoso internado ou em observação é assegurado o direito a
acompanhante, devendo o órgão de saúde proporcionar as condições adequadas para
a sua permanência em tempo integral, segundo o critério médico.
Parágrafo único. Caberá ao profissional de saúde responsável pelo
tratamento conceder autorização para o acompanhamento do idoso ou, no caso de
impossibilidade, justificá-la por escrito.
h) Art.
17. Ao idoso que esteja
no domínio de suas faculdades mentais é assegurado o direito de optar pelo
tratamento de saúde que lhe for reputado mais favorável.
Parágrafo único. Não
estando o idoso em condições de proceder à opção, esta será feita:
I – pelo curador, quando o idoso for
interditado;
II – pelos
familiares, quando o idoso não tiver curador ou este não puder ser contatado em
tempo hábil;
III – pelo médico, quando ocorrer iminente
risco de vida e não houver tempo hábil para
consulta a curador ou familiar;
IV – pelo próprio
médico, quando não houver curador ou familiar conhecido, caso em que deverá
comunicar o fato ao Ministério Público.
h) Art.
19. Os casos de suspeita ou confirmação de violência praticada contra
idosos serão objeto de notificação compulsória pelos serviços de saúde públicos
e privados à autoridade sanitária, bem como serão obrigatoriamente comunicados
por eles a quaisquer dos seguintes órgãos: (Redação dada pela Lei nº 12.461,
de 2011)
I –
autoridade policial;
II – Ministério Público;
III – Conselho Municipal do Idoso;
IV – Conselho Estadual do Idoso;
V – Conselho Nacional do Idoso.
§ 1o Para os efeitos desta Lei, considera-se
violência contra o idoso qualquer ação ou omissão praticada em local público ou
privado que lhe cause morte, dano ou sofrimento físico ou psicológico. (Incluído pela Lei nº 12.461, de
2011)
j) Art. 20. O idoso tem direito a educação, cultura, esporte,
lazer, diversões, espetáculos,
produtos
e serviços que respeitem sua peculiar condição de idade.
Art.
23. A
participação dos idosos em atividades culturais e de lazer será proporcionada
mediante descontos de pelo menos 50% (cinqüenta por cento) nos ingressos para
eventos artísticos, culturais, esportivos e de lazer, bem como o acesso
preferencial aos respectivos locais.
k)
Art. 37. O
idoso tem direito a moradia digna, no seio da família natural ou substituta, ou
desacompanhado de seus familiares, quando assim o desejar, ou, ainda, em
instituição pública ou privada.
l) Art. 39. Aos maiores de 65
(sessenta e cinco) anos fica assegurada a gratuidade dos transportes coletivos
públicos urbanos e semi-urbanos, exceto nos serviços seletivos e especiais,
quando prestados paralelamente aos serviços regulares.
§
1o Para
ter acesso à gratuidade, basta que o idoso apresente qualquer documento pessoal
que faça prova de sua idade.
§
2o Nos
veículos de transporte coletivo de que trata este artigo, serão reservados 10%
(dez por cento) dos assentos para os idosos, devidamente identificados com a
placa de reservado preferencialmente para idosos.
§
3o No
caso das pessoas compreendidas na faixa etária entre 60 (sessenta) e 65
(sessenta e cinco) anos, ficará a critério da legislação local dispor sobre as
condições para exercício da gratuidade nos meios de transporte previstos no caput deste artigo.
Art.
40. No
sistema de transporte coletivo interestadual observar-se-á, nos termos da
legislação específica:
I
– a reserva de 2 (duas) vagas gratuitas por veículo para idosos com renda igual
ou inferior a 2 (dois) salários-mínimos;
II
– desconto de 50% (cinqüenta por cento), no mínimo, no valor das passagens,
para os idosos que excederem as vagas gratuitas, com renda igual ou inferior a
2 (dois) salários-mínimos.
Parágrafo
único. Caberá aos órgãos competentes definir os mecanismos e os critérios para
o exercício dos direitos previstos nos incisos I e II.
Art. 41. É
assegurada a reserva, para os idosos, nos termos da lei local, de 5% (cinco por
cento) das vagas nos estacionamentos públicos e privados, as quais deverão ser
posicionadas de forma a garantir a melhor comodidade ao idoso.
Art.
42. É assegurada a
prioridade do idoso no embarque no sistema de transporte coletivo.
m) Art. 43. As medidas de proteção ao idoso são
aplicáveis sempre que os direitos reconhecidos nesta Lei forem ameaçados ou
violados:
I – por ação ou omissão da sociedade
ou do Estado;
II – por falta, omissão ou abuso da
família, curador ou entidade de atendimento;
III – em razão de sua condição pessoal.
n)
Art. 44. As
medidas de proteção ao idoso previstas nesta Lei poderão ser aplicadas, isolada
ou cumulativamente, e levarão em conta os fins sociais a que se destinam e o
fortalecimento dos vínculos familiares e comunitários.
Art.
45. Verificada qualquer das hipóteses previstas no art. 43, o Ministério
Público ou o Poder Judiciário, a requerimento daquele, poderá determinar,
dentre outras, as seguintes medidas:
I – encaminhamento à família ou curador,
mediante termo de responsabilidade;
II – orientação, apoio e acompanhamento
temporários;
III – requisição para tratamento de sua saúde, em regime
ambulatorial, hospitalar ou domiciliar;
IV – inclusão em programa oficial ou comunitário de auxílio,
orientação e tratamento a usuários dependentes de drogas lícitas ou ilícitas,
ao próprio idoso ou à pessoa de sua convivência que lhe cause perturbação;
V – abrigo em entidade;
VI – abrigo temporário.
o) Da Política de
Atendimento ao Idoso
III
– serviços especiais de prevenção e atendimento às vítimas de negligência,
maus-tratos, exploração, abuso, crueldade e opressão;
V – proteção jurídico-social por
entidades de defesa dos direitos dos idosos;
VI
– mobilização da opinião pública no sentido da participação dos diversos
segmentos da sociedade no atendimento do idoso.
p)
Dos Crimes em Espécie
Art.
96. Discriminar pessoa idosa, impedindo ou dificultando seu acesso a operações
bancárias, aos meios de transporte, ao direito de contratar ou por qualquer outro
meio ou instrumento necessário ao exercício da cidadania, por motivo de idade:
Pena – reclusão de 6 (seis) meses a 1
(um) ano e multa.
§
1o Na
mesma pena incorre quem desdenhar, humilhar, menosprezar ou discriminar pessoa
idosa, por qualquer motivo.
§
2o A
pena será aumentada de 1/3 (um terço) se a vítima se encontrar sob os cuidados
ou responsabilidade do agente.
Art.
97. Deixar
de prestar assistência ao idoso, quando possível fazê-lo sem risco pessoal, em
situação de iminente perigo, ou recusar, retardar ou dificultar sua assistência
à saúde, sem justa causa, ou não pedir, nesses casos, o socorro de autoridade
pública:
Pena – detenção de 6 (seis) meses a 1
(um) ano e multa.
Parágrafo
único. A pena é aumentada de metade, se da omissão resulta lesão corporal de
natureza grave, e triplicada, se resulta a morte.
Art.
98. Abandonar o idoso em hospitais, casas de saúde, entidades de longa
permanência, ou congêneres, ou não prover suas necessidades básicas, quando
obrigado por lei ou mandado:
Pena
– detenção de 6 (seis) meses a 3 (três) anos e multa.
Art. 99. Expor
a perigo a integridade e a saúde, física ou psíquica, do idoso, submetendo-o a
condições desumanas ou degradantes ou privando-o de alimentos e cuidados
indispensáveis, quando obrigado a fazê-lo, ou sujeitando-o a trabalho excessivo
ou inadequado:
Pena – detenção de 2 (dois) meses a 1
(um) ano e multa.
§ 1o Se do fato resulta
lesão corporal de natureza grave:
Pena – reclusão de 1 (um) a 4 (quatro)
anos.
§ 2o Se
resulta a morte:
Pena – reclusão de 4 (quatro) a 12
(doze) anos.
Art. 100. Constitui
crime punível com reclusão de 6 (seis) meses a 1 (um) ano e multa:
III
– recusar, retardar ou dificultar atendimento ou deixar de prestar assistência
à saúde, sem justa causa, a
pessoa idosa;
Art. 102. Apropriar-se de ou desviar bens, proventos, pensão ou qualquer
outro rendimento do idoso, dando-lhes aplicação diversa da de sua finalidade:
Pena – reclusão de 1 (um) a 4 (quatro)
anos e multa.
Art. 104. Reter o cartão magnético de conta bancária
relativa a benefícios, proventos ou pensão do idoso, bem como qualquer outro
documento com objetivo de assegurar
recebimento ou ressarcimento de dívida:
Pena – detenção de 6 (seis) meses a 2
(dois) anos e multa.
Art. 105. Exibir
ou veicular, por qualquer meio de comunicação, informações ou imagens
depreciativas
ou injuriosas à pessoa do idoso:
Pena – detenção de 1 (um) a 3 (três)
anos e multa.
Art. 106. Induzir pessoa idosa sem discernimento de seus atos a outorgar
procuração para fins de administração de bens ou deles dispor livremente:
Pena – reclusão de 2 (dois) a 4
(quatro) anos.
Art. 107. Coagir, de qualquer
modo, o idoso a doar, contratar, testar ou outorgar procuração:
Pena – reclusão de 2 (dois) a 5
(cinco) anos.
Art. 108. Lavrar ato notarial
que envolva pessoa idosa sem discernimento de seus atos, sem
a devida representação legal:
Pena – reclusão de 2 (dois) a 4
(quatro) anos.
q)
Disposições Finais e Transitórias
§ 4o No
homicídio culposo, a pena é aumentada de 1/3 (um terço), se o crime resulta de
inobservância de regra técnica de profissão, arte ou ofício, ou se o agente
deixa de prestar imediato socorro à vítima, não procura diminuir as
conseqüências do seu ato, ou foge para evitar prisão em flagrante. Sendo doloso
o homicídio, a pena é aumentada de 1/3 (um terço) se o crime é praticado contra
pessoa menor de 14 (quatorze) ou maior de 60 (sessenta) anos.
Art. 111. O art. 21 do Decreto-Lei No. 3.688, de e de outubro de
1941, Lei das
Contravenções Penais, passa a vigorar acrescido do seguinte parágrafo único:
Parágrafo único.
Aumenta-se a pena de 1/3 (um terço) até a metade se a vítima é maior de 60
(sessenta) anos.
No Brasil, o Estatuto do idoso, de iniciativa do Projeto
de lei nº 3.561 de 1997 e de autoria do então
deputado federal Paulo Paim, foi fruto
da organização e mobilização dos aposentados,
pensionistas e idosos vinculados à Confederação
Brasileira dos Aposentados e Pensionistas (COBAP), resultado de uma grande
conquista para a população idosa e para a sociedade.
Com esse objetivo de
assegurar os direitos da pessoa idosa, a Secretaria Especial dos Direitos
Humanos da Presidência da República realiza um trabalho essencial na divulgação
do Estatuto e na implementação de suas ações em parceria com os Estados e
Municípios.
Esse conjunto de leis vem
complementar a participação de parcela significativa do povo brasileiro (os
idosos), por intermédio de entidades representativas, os conselhos, que, por
sua vez, seguindo a Lei nº 8842, de 4 de janeiro de 1994, têm por objetivo deliberar sobre políticas
públicas, controlar ações de atendimento, além de zelar pelo cumprimento dos direitos
do idoso e mais um instrumento para a realização da cidadania.
O idoso possui direito à liberdade, à dignidade, à integridade, à educação, à saúde, a um meio ambiente de qualidade, entre outros
direitos fundamentais (individuais, sociais, difusos e coletivos), cabendo ao
Estado, à Sociedade e à família a responsabilidade pela proteção e garantia
desses direitos.
12.1. Política Nacional do Idoso (PNI)
A Política Nacional do Idoso (PNI)
foi aprovada seis anos depois da Constituição Federal com a Lei 8.842 de 04 de
janeiro de 1994 e tem por finalidade de propiciar condições para promoção da
autonomia, da integração e da participação ativa na sociedade tornando-se um
processo desencadeante para a garantia de direitos sociais do idoso,
considerado como a pessoa maior de 60 anos e que tem como itens mais
importantes, do interesse do conhecimento do Cuidador o seguinte:
a)
Art. 1º A política nacional do idoso tem por objetivo assegurar os direitos
sociais do idoso, criando condições para promover sua autonomia, integração e
participação efetiva na sociedade.
Art.
2º Considera-se idoso, para os efeitos desta lei, a pessoa maior de sessenta
anos de idade.
b)
Art. 3° A política nacional do idoso reger-se-á pelos seguintes princípios:
I
- a família, a sociedade e o estado têm o dever de assegurar ao idoso todos os
direitos da cidadania, garantindo sua participação na comunidade, defendendo
sua dignidade, bem-estar e o direito à vida;
II
- o processo de envelhecimento diz respeito à sociedade em geral, devendo ser
objeto de conhecimento e informação para todos;
III - o idoso não deve sofrer
discriminação de qualquer natureza;
c) Art.
4º Constituem diretrizes da política nacional do idoso:
I
- viabilização de formas alternativas de participação, ocupação e convívio do
idoso, que proporcionem sua integração às demais gerações;
II
- participação do idoso, através de suas organizações representativas, na
formulação, implementação e avaliação das políticas, planos, programas e
projetos a serem desenvolvidos;
§ 1º É assegurado ao idoso o direito de dispor de seus bens,
proventos, pensões e benefícios, salvo nos casos de incapacidade judicialmente
comprovada.
§ 2º
Nos casos de comprovada incapacidade do idoso para gerir seus bens, ser-lhe-á
nomeado Curador especial em juízo.
§ 3º
Todo cidadão tem o dever de denunciar à autoridade competente qualquer forma de
negligência ou desrespeito ao idoso.
Percebemos que o Idoso está
devidamente protegido pelo Estado e pelas leis e é nosso dever como cidadão e
principalmente como profissional diretamente ligado a eles, fazer com que essas
leis se cumpram já que ninguém está a salvo de envelhecer.
Fica claro que mais seres humanos insatisfeitos
do que os seus contrários aceitam a velhice e procuram adaptar-se aos limites
impostos pelo processo de vida.
São poucos os idosos que se
sentem felizes pelos anos vividos e procuram aproveitá-los da melhor maneira
possível, engajando-se nos programas oferecidos pela universidade aberta à terceira
idade, às aulas de ginástica a eles direcionado, aos clubes ou associações
voltados ao lazer e ao entretenimento e que despertam o interesse no
aprendizado de novas situações, como tocar um instrumento, usar o computador e
outras. É necessário estimular nos seres humanos idosos à vontade de viver
intensamente e com melhor qualidade possível a sua fase de vida e essa é também
uma grande função atribuída ao Cuidador: o incentivo à vida!
13. VESTUÁRIO DA PESSOA CUIDADA
“Posso
mudar meu jeito de vestir, de andar, ate mudar o corte do meu
cabelo mais jamais mudarei minha
personalidade.”
Leila
Henolla.
A pessoa idosa, doente ou com
incapacidade pode ter diminuída a capacidade de perceber ou de expressar as
sensações de frio ou calor. Por isso é importante que o
cuidador
fique atento às mudanças de temperatura e não espere que a pessoa manifeste
querer vestir ou despir agasalho. As roupas devem ser simples, confortáveis e
de tecidos próprios ao clima, dando-se preferência aos tecidos naturais, como
por exemplo, o algodão.
Sempre que possível é importante
deixar a pessoa cuidada escolher a própria roupa, pois isso ajuda a preservar a
sua personalidade, eleva a sua autoestima e independência.
O uso de chinelo sem apoio no
calcanhar deve ser evitado, pois esse tipo de calçado pode enroscar em tapetes,
soltar dos pés e provocar quedas.
Os sapatos devem ter solado de
borracha antiderrapante e com elástico na parte superior, pois não escorregam e
são mais fáceis de tirar e colocar.
As roupas com botões, zíperes e
presilhas são mais difíceis de vestir, por isso dê preferência às roupas com
abertura na frente, elástico na cintura e fechadas por velcro.
As roupas de algodão são melhores e
mais práticas, pois são mais resistentes, ventiladas e podem ser lavadas na
água quente.
A pessoa que permanece por longo tempo
em cadeiras de rodas ou poltrona precisa vestir roupas confortáveis e mais
largas nos quadris. É preciso cuidar para que as roupas não fiquem dobradas ao
sentar, pois isso pode provocar escaras.
Ao vestir e despir a pessoa que tenha
um braço comprometido, vista a manga primeiro no braço afetado e ao retirar a
roupa retire primeiro do braço sadio.
A pessoa que tem demência tem mais
dificuldade em tomar decisões. Dê a ela uma peça de roupa de cada vez, na
seqüência que ela deverá vestir, falando clara e pausadamente o nome da peça.
Para que a pessoa com demência possa
encontrar o que precisa mais facilmente, organize os objetos de uso pessoal,
colando figuras de peças de roupas e objetos pessoais na parte externa das
gavetas ou nas prateleiras.
14. ALIMENTAÇÃO SAUDÁVEL
“A
infância é alimentada pela imaginação, a juventude
pelo sonho e a velhice pela saudade...”
Osman
Freitas.
Uma alimentação saudável, isso é, adequada nutricionalmente e sem
contaminação, tem influência no bem-estar físico e mental, no equilíbrio
emocional, na prevenção e tratamento de doenças.
É importante que a alimentação seja saborosa, colorida e
equilibrada, que respeite as preferências individuais e valorize os alimentos
da região, da época e que sejam acessíveis do ponto de vista econômico.
Para se ter uma alimentação equilibrada, com todos os nutrientes
necessários para a manutenção da saúde, é preciso variar os tipos de alimentos,
consumindo-os com moderação.
Os nutrientes são as substâncias químicas que o organismo absorve
dos alimentos, esses nutriente são indispensáveis para o bom funcionamento do
organismo.
Os
nutrientes dos alimentos fornecem calorias, que são a quantidade de energia
utilizada pelo corpo para a manutenção de suas funções e atividades. Uma
alimentação
que
fornece mais calorias do que o organismo gasta em suas atividades diárias pode
provocar o excesso de peso e obesidade. Uma alimentação que fornece menos
calorias
que
o necessário pode levar à perda de peso e desnutrição.
14.1. Os dez passos para uma alimentação
saudável:
Os 10 passos para uma alimentação saudável é uma estratégia
para buscar uma vida mais saudável, recomendada pelo Ministério da Saúde. Esses
passos podem ser seguidos por toda a família.
1º passo: Aumente e varie o consumo de frutas,
legumes e verduras. Coma-os 5 vezes por dia.
As frutas e verduras são ricas em vitaminas, minerais e
fibras. Coma, pelo menos, 4 colheres de sopa de vegetais (verduras e legumes) 2
vezes por dia. Coloque os vegetais no prato do almoço e do jantar. Comece com 1
fruta ou 1 fatia de fruta no café da manhã e acrescente mais 1 nos lanches da
manhã e da tarde.
2º passo: Coma feijão pelo menos 1 vez por
dia, no mínimo 4 vezes por semana.
O feijão é um alimento rico em ferro. Na hora das refeições,
coloque 1 concha de feijão no seu prato, assim você estará evitando a anemia.
3º passo: Reduza o consumo de alimentos
gordurosos, como carne com gordura aparente,
salsicha, mortadela, frituras e salgadinhos, para no máximo 1 vez por semana.
Retire
antes do cozimento a pele do frango, a gordura visível da carne e o couro do
peixe.
Apesar do óleo vegetal ser um tipo de gordura mais saudável, tudo
em excesso faz mal!
O ideal é não usar mais que 1 lata de óleo por mês para uma
família de 4 pessoas. Prefira os alimentos cozidos ou assados e evite cozinhar
com margarina, gordura vegetal ou manteiga.
4º passo: Reduza o consumo de sal. Tire o saleiro da mesa.
O
sal da cozinha é a maior fonte de sódio da nossa alimentação. O sódio é
essencial para o funcionamento do nosso corpo, mas o excesso pode levar ao
aumento da pressão do sangue, que chamamos de hipertensão. As crianças e os
adultos não precisam de mais que 1 pitada de sal por dia.
Siga estas dicas: não coloque o saleiro na mesa, assim você evita
adicionar o sal na comida pronta. Evite temperos prontos, alimentos enlatados,
carnes salgadas e embutidos como mortadela, presunto, lingüiça, etc. Todos eles
têm muito sal.
5º passo: Faça pelo menos 3 refeições e 1 lanche por dia. Não pule as
refeições.
Para
lanche e sobremesa prefira frutas. Fazendo todas as refeições, você evita que o
estômago fique vazio por muito tempo, diminuindo o risco de ter gastrite e de
exagerar na quantidade quando for comer. Evite “beliscar”, isso vai ajudar você
a controlar o peso.
6º passo: Reduza o consumo de doces, bolos, biscoitos e outros alimentos
ricos em açúcar para no máximo 2 vezes por semana.
7º passo: Reduza o consumo de álcool e refrigerantes. Evite o consumo
diário. A melhor bebida é a água.
8º passo: Aprecie a sua refeição. Coma devagar.
Faça
das refeições um ponto de encontro da família. Não se alimente assistindo TV.
9º passo: Mantenha o seu peso dentro de limites saudáveis – veja no
serviço de
saúde
se o seu IMC está entre 18,5 e 24,9 kg/m2.
O
IMC (índice de massa corporal) mostra se o seu peso está adequado para sua
altura. É calculado dividindo-se o peso, em kg, pela altura, em metros, elevado
ao quadrado.
10º passo: Seja ativo. Acumule 30 minutos de atividade física todos
os dias. Caminhe pelo seu bairro. Suba escadas. Não passe muitas horas
assistindo TV.
Essas
recomendações foram elaboradas para pessoas saudáveis, mas servem como guia
para planejar a alimentação de pessoas que necessitam de cuidados especiais de saúde.
Pessoas que precisam de dietas especiais devem receber orientações
específicas e individualizadas de um nutricionista, de acordo com o seu estado
de saúde.
14.2. Outras
recomendações gerais para a alimentação
Nem sempre é fácil alimentar outra pessoa, por isso o cuidador
precisa ter muita
calma
e paciência, estabelecer horários regulares, criar um ambiente tranqüilo. São
orientações importantes:
a) Para receber a alimentação, a pessoa deve estar sentada
confortavelmente. Jamais ofereça água ou alimentos à pessoa na posição deitada,
pois ela pode se
engasgar.
b) Se a pessoa cuidada consegue se alimentar sozinha, o cuidador
deve estimular e ajudá-la no que for preciso: preparar o ambiente, cortar os
alimentos, etc.
Lembrar
que a pessoa precisa de um tempo maior para se alimentar, por isso não se deve
apressá-la.
c) É importante manter limpos os utensílios e os locais de preparo
e consumo das refeições. A pessoa que prepara os alimentos deve cuidar de sua
higiene pessoal, com a finalidade de evitar a contaminação dos alimentos.
d) Quando a pessoa cuidada estiver sem apetite, o cuidador deve
oferecer alimentos saudáveis e de sua preferência, incentivando-a a comer. A
pessoa com dificuldades para se alimentar aceita melhor alimentos líquidos e
pastosos, como: legumes amassados, purês, mingau de aveia ou amido de milho,
vitamina de frutas com
cereais integrais.
Para
estimular as sensações de gosto e cheiro, que com o avançar da idade ou com a
doença podem estar diminuídos, é importante que as refeições sejam saborosas,
de fácil digestão, bonitas e cheirosas.
e) Uma
boa maneira de estimular o apetite é variar os temperos e o modo de preparo dos
alimentos. Os temperos naturais como: alho, cebola, cheiro-verde, açafrão,
cominho, manjericão, louro, alecrim, sálvia, orégano, gergelim, hortelã,
noz-moscada, manjerona, erva-doce, coentro, alecrim, dão sabor e aroma aos
alimentos e podem ser usados à vontade.
f) Se
a pessoa consegue mastigar e engolir alimentos em pedaços não há razão para
modificar a consistência dos alimentos. No caso da ausência parcial ou total
dos dentes, e uso de prótese, o cuidador deve oferecer carnes, legumes,
verduras e frutas bem picadas, desfiadas, raladas, moídas ou batidas no
liquidificador.
g)
Para manter o funcionamento do intestino é importante que o cuidador ofereça à
pessoa alimentos ricos em fibras como as frutas e hortaliças cruas,
leguminosas, cereais integrais como arroz integral, farelos, trigo para quibe,
canjiquinha, aveia, gérmen de trigo, etc. Substituir o pão branco por pão integral
e escolher massas com farinha integral. Substituir metade da farinha branca por
integral em preparações assadas. Acrescentar legumes e verduras no recheio de
sanduíches e tortas e nas sopas.
h)
Sempre que for possível, o cuidador deve estimular e auxiliar a pessoa cuidada
a fazer caminhadas leves, alongamentos e passeios ao ar livre.
i)
Ofereça à pessoa cuidada, de preferência nos intervalos das refeições, 6 a 8
copos de líquidos por dia: água, chá, leite ou suco de frutas.
j) É
importante que a pessoa doente ou em recuperação coma diariamente carnes e
leguminosas, pois esses alimentos são ricos em ferro. O ferro dos vegetais é
mais bem absorvido quando se come junto alimentos ricos em vitamina C, como
laranja, limão, caju, goiaba, abacaxi e outros, em sua forma natural ou em
sucos.
k) O
consumo moderado de açúcar, doces e gorduras ajudam a manter o peso adequado e
a prevenir doenças cardiovasculares, obesidade e diabetes.
l) O
cuidador e a família da pessoa cuidada deve observar a data de validade dos
produtos, evitando comprar grandes quantidades de alimentos e aqueles com prazo
de validade próximo do vencimento.
m)
Alimentos “diet” são aqueles que tiveram um ou mais ingredientes
retirados de sua fórmula original, como por exemplo: açúcar, gordura, sódio ou
proteínas.
n)
Produtos “light” são aqueles que sofreram redução de algum tipo de
ingrediente na sua composição, por exemplo: o creme de leite light apresenta
menor quantidade de gordura, o sal light tem menor quantidade de sódio,
refrigerante light tem menor quantidade de calorias. Os alimentos light
em que foi retirado o açúcar podem ser consumidos por diabéticos.
o)
Quando há necessidade de substituir o açúcar por adoçantes artificiais,
recomenda-se variar os tipos. Os adoçantes à base de ciclamato de sódio e
sacarina podem contribuir para o aumento da pressão arterial. Os adoçantes à
base de sorbitol, manitol e xilitol podem causar desconforto no estômago e
diarréia. É importante receber orientação da equipe de saúde, quando for
necessário usar adoçantes artificiais.
14.3. Orientação alimentar para aliviar
sintomas
a)
Náuseas e vômitos
• Oferecer à pessoa com vômitos ou diarréia, 2 a 3 litros de
líquidos por dia em pequenas quantidades, de preferência nos intervalos das
refeições.
• Oferecer refeições menores 5 a 6 vezes ao dia.
• Os alimentos muito quentes podem liberar cheiros e isso pode
agravar a náusea. Os alimentos secos e em temperaturas mais frias são mais bem
aceitos.
• É importante que a pessoa mastigue muito bem e devagar os
alimentos.
• Logo após as refeições, o cuidador deve manter a pessoa sentada
para evitar as náuseas e vômitos.
• Enquanto durar as náuseas e vômitos, deve-se evitar os alimentos
muito temperados, com cheiros fortes, salgados, picantes, ácidos, doces e
gorduras.
b)
Dificuldade para engolir (disfagia)
• Oferecer as refeições em quantidades menores de 5 a 6 vezes por
dia.
• Oferecer líquidos nos intervalos das refeições, em pequenas
quantidades e através de canudos.
• Manter a pessoa sentada ou em posição reclinada com ajuda de
travesseiros nas costas, para evitar que a pessoa engasgue.
• A pessoa com dificuldade para engolir aceita melhor os alimentos
mais leves e macios, os líquidos engrossados com leite em pó, cereais, amido de
milho, os alimentos pastosos como as gelatinas, pudins, vitaminas de frutas
espessas, sopas tipo creme batidas no liquidificador, mingaus, purê de frutas,
polenta mole com caldo de feijão.
• As sopas podem ser engrossadas com macarrão, mandioquinha, cará,
inhame e aveia.
• Evitar alimentos de consistência dura, farinhentos e secos como
a farofa e bolachas. O pão francês e as torradas devem ser oferecidos sem
casca, molhados no leite.
c)
Intestino preso (constipação intestinal)
• O intestino funciona melhor quando a pessoa mantém horários para
se alimentar e evacuar.
• Os alimentos ricos em fibras como o arroz e pão integrais,
aveia, verduras e legumes, frutas como mamão, laranja, abacaxi, mangaba,
tamarindo, ameixa, grãos em geral etc, ajudam o intestino a funcionar.
• Quando a pessoa está com intestino “preso” evite oferecer banana
prata, caju, goiaba, maçã, chá preto/mate, pois esses alimentos são ricos em
tanino e prendem o intestino.
• Cuidador, ofereça à
pessoa uma vitamina laxativa feita com 1 copo de suco de
laranja,
1 ameixa seca, 1 pedaço de mamão, 1 colher de sopa de creme de leite, 1 colher
de sopa de farelo de aveia, milho, trigo, soja. O farelo de arroz deve ser
evitado, pois resseca o intestino.
d) Gases
(flatulência)
• A formação de gases causa muito desconforto às pessoas acamadas.
Para evitar a formação de gases é importante oferecer à pessoa mais líquidos e
uma alimentação saudável, evitando alguns alimentos, como: agrião, couve,
repolho, brócolis, pepino, grãos de feijão, couve-flor, cebola e alho crus,
pimentão, nabo, rabanete, bebidas gasosas, doces concentrados e queijos
amarelos.
• Os exercícios auxiliam na eliminação dos gases.
15. CUIDADOS COM A
MEDICAÇÃO
“É
impossível progredir sem mudanças e, aqueles que não
mudam
suas mentes, não podem mudar nada.”
George
Bernard Shaw.
O uso correto da medicação é fundamental para a recuperação da
saúde e para isso são necessários alguns cuidados:
a) Peça ajuda à equipe de
saúde para organizar a medicação.
b) Mantenha os medicamentos
nas embalagens originais, assim fica fácil controlar a data de validade e evita
que se misturem.
c) Atualmente há no mercado
caixinhas porta-medicação, que auxiliam as pessoas a tomar corretamente os
medicamentos. Essas caixinhas são divididas por períodos do dia (manhã, almoço,
jantar, ao deitar) e ainda podem ser separadas por dia da semana, ou seja, uma
caixinha por dia da semana.
d) Os materiais e medicações
de curativos, tais como: pomada, gaze, luva, tesoura, faixa, esparadrapo, soro
fisiológico e outros devem ser guardados em uma caixa com tampa, separados dos
outros medicamentos.
e) O material e a medicação
utilizados para nebulização devem ser guardados secos em uma caixa de plástico
com tampa. Caixa de madeira e papelão não são indicadas, pois podem favorecer a
formação de fungos.
f) Converse com a equipe de
saúde sobre o planejamento dos horários de medicação. Sempre que possível é bom
evitar ministrar medicação nos horários em que a pessoa dorme, pois isso
interfere na qualidade do sono.
g) Mantenha os medicamentos
em local seco, arejado, longe do sol e principalmente onde crianças não possam
mexer.
h) Evite guardar medicamentos
em armários de banheiro e ao lado de filtro de água, pois a umidade pode
estragar a medicação.
i) Mantenha a última receita
junto à caixa de medicamentos, pois isso facilita consulta-la em caso de
dúvidas ou apresentá-la ao profissional de saúde quando solicitada.
j) Os medicamentos que não
estiverem sendo utilizados podem ser devolvidos à Unidade de Saúde.
k) Não acrescente, diminua,
substitua ou retire medicação sem o conhecimento da equipe de saúde.
l) Se após tomar um
medicamento a pessoa cuidada apresentar reação estranha, avise a equipe de saúde.
m) Produtos naturais, como os chás de
plantas medicinais, são considerados medicamentos e alguns deles podem alterar
a ação da medicação que a pessoa esteja usando. Se a pessoa cuidada usar algum
desses produtos avise à equipe de saúde.
n) Acenda a luz sempre que for preparar
ou ministrar medicação para evitar trocas de medicamentos.
o) Sempre leia o nome do medicamento
antes do preparo e de dar à pessoa, pois medicamentos diferentes podem ter a
mesma cor e tamanho, e também um mesmo medicamento pode variar de cor e formato
dependendo do fabricante, como por exemplo, o comprimido de captopril que pode
ser branco ou azul.
p) Antes de feriados e finais de semana é
preciso conferir se a quantidade de medicamentos fornecidos pela Unidade de
Saúde é suficiente para esses dias.
q)
Não
se use medicamentos que foram receitados para outra pessoa.
16. COMUNICAÇÃO
“A
vantagem de ter péssima memória é divertir-se muitas vezes com
as mesmas coisas boas como se fosse a primeira
vez.”
Friedrich
Nietzsche.
Em qualquer momento
e lugar, onde existe vida, existe comunicação.
Se
aceitamos que o homem é um “Ser Social”, a boa ou má capacidade de comunicação
é que irá definir sua sociabilidade.
O Grande objetivo da comunicação é o
entendimento entre os homens. Palavras brandas e suaves afastam a ira, mas
palavras cruéis suscitam o ódio.
O que vemos,
pensamos, ouvimos, tocamos, sentimos, nos trás uma imagem mental. Ao mesmo
tempo forma-se uma reação mental e emotiva, traduzindo esse sentimento em
palavras. É uma resposta ao estímulo interno ou externo. Ela está na
dependência da atenção. A Atenção é uma resposta do interlocutor ao estímulo. Quando
produzimos um efeito sem resultados, nos expressamos. Quando transmitimos
resultados nos comunicamos.
16.1. Como
ajudar na comunicação
Comunicar envolve, além das palavras
que são expressas por meio da fala ou da
escrita,
todos os sinais transmitidos pelas expressões faciais, pela postura corporal e
também pela proximidade ou distância que se mantém entre as pessoas; a
capacidade e jeito de tocar, ou mesmo o silêncio em uma conversa.
Algumas vezes a pessoa cuidada pode
ficar irritada por não conseguir falar ou se
expressar,
embora entenda o que falam com ela. Para facilitar a comunicação, serão
descritas a seguir algumas dicas:
a) Use frases curtas e objetivas.
b) No caso de pessoas idosas, evite
tratá-las como crianças utilizando termos inapropriados como “vovô”, “querido”
ou ainda utilizando termos diminutivos desnecessários como “bonitinho”,
“lindinho”, a menos que a pessoa goste.
c) O cuidador deve repetir a fala, quando
essa for erroneamente interpretada, utilizando palavras diferentes.
d) Fale de frente, sem cobrir a boca, não
se vire ou se afaste enquanto fala e procure ambientes iluminados para que a
pessoa além de ouvir veja o movimento dos lábios da pessoa que fala com ela,
assim entenderá melhor.
e) Aguarde a resposta da primeira
pergunta antes de elaborar a segunda, pois a pessoa pode necessitar de um tempo
maior para entender o que foi falado e responder.
f) Não interrompa a pessoa no meio de sua
fala, demonstrando pressa ou
impaciência. É necessário permitir que
ele conclua o seu próprio pensamento.
g)
Caso o cuidador não entenda a fala da pessoa
cuidada, peça que escreva o que quer dizer. Se a pessoa cuidada não puder
escrever, faça perguntas que ela possa responder com gestos e combine com ela
que gestos serão usados, por exemplo: fazer sim ou não com a cabeça, franzir a
testa ou piscar os olhos, entre outros.
h) Diminua os ruídos no ambiente onde a
pessoa cuidada permanece.
i) Sempre que a pessoa demonstrar não ter
entendido o que foi falado, repita o que falou com calma evitando constranger a
pessoa cuidada.
j) Procure falar de forma clara e pausada
e aumente o tom de voz somente se isso realmente for necessário.
k) Verifique a necessidade e condições de
próteses dentárias e/ou auditivas que possam estar dificultando a comunicação.
l) Converse e cante com a pessoa, pois
essas atividades estimulam o uso da voz.
m) A música ajuda a pessoa cuidada a
recordar pessoas, sentimentos e situações que ocorreram com ela, ajudando na
sua comunicação.
n) O toque, o olhar, o beijo, o carinho
são outras formas de comunicação que ajudam o cuidador a compreender a pessoa
cuidada e ser compreendido por ela.
16.2. Alterações que podem ser encontradas na
comunicação
Algumas mudanças na maneira da pessoa cuidada se
comunicar que podem sugerir alguma alteração do seu estado de saúde. Cuidador
observe alguns exemplos:
1.
Dificuldade para expressar uma idéia e, no lugar, usar uma palavra ou frase
relacionada com essa idéia, por exemplo: em vez de dizer caneta, diz: “aquela
coisa de escrever”.
2.
Não entender ou entender apenas parte do que falam com ela.
3.
Fala sem nexo ou sem sentido.
4. Dificuldade para escrever e para entender o que está escrito.
5. Não conseguir conversar, parar a conversa no meio, parece que
não percebe as pessoas
que estão perto dela, ou falar sozinha.
6.
Dificuldade para expressar as emoções: pode sorrir quando sente dor ou
demonstrar tristeza e chorar quando está satisfeita, se agitar ou ficar ansioso
ao expressar carinho e afeto.
7.
As dificuldades de comunicação são sinais freqüentemente presentes na demência
e outras doenças neurológicas. Caso o cuidador observe uma ou mais dessas
alterações deve procurar a Unidade de Saúde.
É comum as pessoas idosas e também as
pessoas com demência, doença de Alzheimer, esquecer-se de situações vividas, do
nome de pessoas e coisas, trocar palavras.
Essas situações provocam embaraços e
angústia tanto à pessoa cuidada como aos familiares.
É importante que o
cuidador ao se referir a alguém conhecido, explique à pessoa cuidada de quem
está falando: “Maria, sua filha”; “João, seu vizinho”, assim a pessoa vai se
situando melhor na conversa e vai relembrando pessoas e fatos que havia
esquecido. É preciso falar com simplicidade e pedir que a pessoa toque objetos,
retratos e quadros, isso ajuda a “puxar” a memória e a melhorar a conversa.
16.3. Dificuldade na memória: como
enfrentá-la?
Esquecimentos ocasionais, dificuldades de concentração,
confundir datas e coisas, são situações que podem ocorrer com qualquer pessoa,
principalmente quando se está sob pressão ou cansada, ou quando se faz muitas
coisas ao mesmo tempo.
Essas situações passam a
ser mais freqüentes à medida que a pessoa envelhece, causando estresse tanto na
pessoa cuidada quanto na família e no cuidador.
Perdas severas de memória
podem estar relacionadas com traumatismos, doenças no cérebro, depressão ou
outros transtornos de humor.
Algumas dicas para ajudar na memória:
1. Incentive a pessoa cuidada a registrar em papel e fazer listas
das coisas que pode esquecer, isso ajuda a organizar as atividades do dia-a-dia
e a não esquecer coisas importantes.
2. Estimule a pessoa a desenvolver atividades que exercitam a
memória, tais como: leitura, canto e palavras cruzadas.
TÉCNICAS
ESPECÍFICAS
PARA O CUIDADO
COM
IDOSOS
17. DEMÊNCIA
“Não
diga que a vitória está perdida.
Tenha fé em Deus, tenha fé na vida.
Tente outra vez!”
Raul Seixas.
A demência é uma doença de causa
desconhecida, caracterizada pela morte rápida de muitas células do cérebro. A
pessoa com demência vai perdendo a capacidade e as habilidades de fazer coisas
simples. A demência provoca perda de memória, confusão, comportamentos
estranhos e mudanças na personalidade. Ainda não existe cura para a demência,
no entanto há tratamento que alivia os sinais e sintomas da doença. A pessoa
com demência pode apresentar os seguintes sinais e sintomas:
a) Falha na memória, a pessoa se lembra perfeitamente de fatos
ocorridos há muitos anos, mas esquece o que acabou de acontecer.
b) Desorientação, como dificuldade de se situar quanto à hora, dia
e local e perder-se em lugares conhecidos.
c) Dificuldade em falar ou esquece o nome das coisas. Para superar
essa falha, descreve o objeto pela sua função, ao não conseguir dizer caneta, diz:
“Aquele negócio que escreve”.
d) Dificuldade em registrar na memória fatos novos, por isso
repete as mesmas coisas várias vezes.
e)
Alterações de humor e de comportamento: choro, ansiedade, depressão, fica
facilmente zangada, chateada ou agressiva, desinibição sexual, repetição de
movimentos, como abrir e fechar gavetas várias vezes.
f) Dificuldade de compreender o que lhe dizem, de executar tarefas
domésticas e fazer sua higiene pessoal.
g) Comportar-se de maneira inadequada fugindo a regras sociais como
sair vestido de pijama, andar despido, etc.
h) Esconder ou perder coisas e depois acusar as pessoas de tê-las
roubado.
i) Ter alucinações, ver imagens, ouvir vozes e ruídos que não
existem.
À medida que a doença
progride, os sinais e os sintomas se tornam mais marcantes e incapacitantes.
O Cuidador, ao perceber
sinais de demência na pessoa cuidada, procure conversar sobre isso com a equipe
de saúde. O diagnóstico médico é um aspecto importante no tratamento, pois a
demência pode apresentar os mesmos sinais e sintomas de outras doenças.
Para cuidar de uma pessoa
diagnosticada clinicamente com demência é importante ter um curso complementar
para melhor atende-lo.
18. PACIENTES CADEIRANTES
Trate a pessoa com
deficiência com a mesma consideração e respeito que você usa com as demais
pessoas
As limitações que uma deficiência
trazem são únicas para cada pessoa, o que causa um grau maior ou menor de
dependência. Geralmente tetraplégicos tem maior dependência do que
paraplégicos, mas mesmo isso varia de caso para caso e há tetraplégicos
totalmente independentes. Mas há deficiências que, por suas características
próprias, demandam acompanhamento constante. Quando o deficiente tem uma
limitação severa, ele precisa de ajuda todos os dias, muitas vezes até mesmo
para sair da cama. Em um caso assim, é fundamental contar com alguém para
ajudar na manhã seguinte, senão a pessoa nem da cama sai.
A família geralmente é a solução,
porém é muito complicado para qualquer um hoje em dia parar toda a rotina para
cuidar de alguém. As pessoas precisam trabalhar, sair, viajar, e não dá para
ficar "por conta". O que acontece muitas vezes é o
"revezamento", cada um dedica parte do dia ao cuidado. Ou então o
companheiro (a) faz as vezes de cuidador. Mas e quando há imprevistos? Não dá
para depender disso. Nestes casos, a solução é contratar um cuidador.
Contratar um cuidador não
é tarefa fácil, é preciso ser alguém com experiência, pois dadas as limitações
em questão, muitas vezes é necessário até conhecimentos de enfermagem ou
medicina. É preciso ser alguém de confiança, pois vai passar muito tempo na
casa da pessoa, vai lidar com momentos íntimos, sem contar a possibilidade de
abuso, que infelizmente ainda existe. Às vezes o fator confiabilidade pesa
muito mais que a experiência.
18.1. Governo
Federal define por lei o termo correto para tratar pessoa com deficiência
O Conselho Nacional da Pessoa com
Deficiência definiu através da portaria 2.344, publicada neste mês, qual é o
termo correto para o tratamento das pessoas com necessidades especiais. Por
lei, elas devem ser tratadas como Pessoa com Deficiência.
18.2. Como mover idosos da cadeira de rodas para a cama
O planejamento antecipado é a chave para cuidadores que
devem explicar ao idoso os passos das sua ação e garanta que
ele entenda o que você fará em primeiro lugar. Demonstre se necessário.
Trave
as rodas da cadeira de rodas e da cama(opcional).Garanta que a cadeira
esteja posicionada paralelamente à cama, com a face voltada para a parte da
cama onde ficam os pés ou então em um ângulo de 45 graus. A cadeira também deve
estar próxima ao meio da cama.
Dobre o descanso de pés. Remova o descanso de
braço se possível. Garanta que o corrimão da cama esteja abaixado.
Faça com que o idoso coloque a mão mais
próxima da cama em cima do colchão com o outro braço apoiado
no apoio de braço da cadeira pronto para um empurrão.
Posicione-se frente a frente com o
idoso. Curve-se ligeiramente e o segure na sua cintura.
Instrua
o idoso a se levantar com os braços a fim de ajudar a diminuir o peso.
Simultaneamente, dobre suas pernas
para produzir uma força no sentido da cama. O levantamento é feito de melhor
maneira com suas pernas e com seus músculos glúteos ligeiramente fletidos a fim
de aliviar a pressão das suas costas.
Assim
que o paciente estiver sentado, dê um pouco de tempo para que ele
reganhe o seu equilíbrio.
Coloque um braço sobre as suas costas
do lado oposto e o outro braço debaixo de sua coxa. Dobre suas pernas
ligeiramente. Vire e abaixe as costas do idoso enquanto coloca as suas coxas na
cama.
18.3. Como descer escadas com o cadeirante
Peça para alguém ajudá-lo. Levar
sozinho uma pessoa escada a baixo pode ser perigoso e cansativo.
Leve a cadeira de rodas para o topo da
escada.
Instrua seu ajudante a ficar na frente
da cadeira. Você ficará na parte de trás, no topo da escada.
Segure os punhos por trás da cadeira
de rodas. Certifique-se de firmá-los bem pois suas mãos não podem escorregar.
Instrua seu ajudante a levantar a
estrutura da frente da cadeira de rodas, logo acima das rodas. Verifique se a
estrutura é firme e não irá se mover. De acordo com a Ohio State University
Medical Center, o ajudante deve manter um pé no segundo degrau e o outro no
terceiro, com os joelhos levemente dobrados. Essa posição assegura a
estabilidade e ajuda a distribuir o peso durante o processo de movimentação.
Incline a cadeira de rodas
vagarosamente para trás. As rodas traseiras devem ficar no chão. Encontre seu
equilíbrio. Mantenha seus joelhos dobrados e suas costas arqueadas para evitar
danos em seu corpo. Comunique-se com seu ajudante caso precise ajustar sua
posição.
Deslize a cadeira de rodas
cuidadosamente escada a baixo, degrau por degrau. Mova-se vagarosamente e
ajuste sua posição, se for necessário. O movimento rápido pode prejudicar o
equilíbrio da cadeira de rodas e alterar seu controle.
Continue descendo as escadas até
chegar embaixo.Abaixe a cadeira de rodas para que as quatro rodas fiquem firmes
no chão.
18.4. Comportamento geral com um cadeirante
É importante saber que
para uma pessoa sentada é incômodo ficar olhando para cima por muito tempo,
portanto, ao conversar por mais tempo que alguns minutos com uma pessoa que usa
cadeira de rodas, se for possível, lembre-se de sentar, para que você e ela
fiquem com os olhos no mesmo nível.
A cadeira de rodas (assim como as bengalas e muletas) é parte do espaço
corporal da pessoa, quase uma extensão do seu corpo. Agarrar ou apoiar-se na
cadeira de rodas é como agarrar ou apoiar-se numa pessoa sentada numa cadeira
comum. Isso muitas vezes é simpático, se vocês forem amigos, mas não deve ser
feito se vocês não se conhecem.
Nunca movimente a cadeira de rodas sem antes pedir permissão
para a pessoa.
Empurrar uma pessoa em
cadeira de rodas não é como empurrar um carrinho de supermercado. Quando
estiver empurrando uma pessoa sentada numa cadeira de rodas e parar para
conversar com alguém, lembre-se de virar a cadeira de frente para que a pessoa
também possa participar da conversa.
Ao empurrar uma pessoa em cadeira de rodas, faça-o com cuidado.
Preste atenção para não bater nas pessoas que caminham a frente. Para subir
degraus, incline a cadeira para trás para levantar as rodinhas da frente e
apoiá-las sobre a elevação. Para descer um degrau, é mais seguro fazê-lo de
marcha a ré, sempre apoiando para que a descida seja sem solavancos. Para subir
ou descer mais de um degrau em seqüência, será melhor pedir a ajuda de mais uma
pessoa.
Se você estiver
acompanhando uma pessoa deficiente que anda devagar, com auxílio ou não de
aparelhos ou bengalas, procure acompanhar o passo dela.
Mantenha as muletas ou
bengalas sempre próximas à pessoa deficiente.
Se achar que ela está em dificuldades, ofereça
ajuda e, caso seja aceita, pergunte como deve fazê-lo. As pessoas têm suas
técnicas pessoais para subir escadas, por exemplo e, às vezes, uma tentativa de
ajuda inadequada pode até mesmo atrapalhar. Outras vezes, a ajuda é essencial.
Pergunte e saberá como agir e não se ofenda se a ajuda for recusada.
Se você presenciar um tombo de uma pessoa com deficiência,
ofereça ajuda imediatamente. Mas nunca ajude sem perguntar se e como deve
fazê-lo.
Esteja atento para a existência de barreiras arquitetônicas quando
for escolher uma casa, restaurante, teatro ou qualquer outro local que queira
visitar com uma pessoa com deficiência física.
Pessoas com paralisia cerebral podem ter dificuldades para andar,
podem fazer movimentos involuntários com pernas e braços e podem apresentar expressões
estranhas no rosto. Não se intimide com isso. São pessoas comuns como você.
Geralmente, têm inteligência normal ou, às vezes, até acima da média.
Se a pessoa tiver dificuldade na fala e você não compreender
imediatamente o que ela está dizendo, peça para que repita. Pessoas com
dificuldades desse tipo não se incomodam de repetir quantas vezes seja
necessário para que se façam entender.
Não se acanhe em usar palavras como "andar" e
"correr". As pessoas com deficiência física empregam naturalmente
essas mesmas palavras.
19. CUIDADOS NO
DOMICÍLIO PARA PESSOAS IDOSAS, ACAMADAS OU COM LIMITAÇÕES FÍSICAS
“Os
velhos não devem nem se apegar desesperadamente nem renunciar
sem
razão ao pouco de vida que lhes resta.”
Cícero,
Saber Envelhecer.
19.1. Higiene da Pessoa Cuidada:
A
higiene corporal além de proporcionar conforto e bem-estar se constitui um
fator importante para recuperação da saúde. O banho deve ser diário, no
chuveiro, banheira ou na cama. Procure fazer do horário do banho um momento de
relaxamento.
19.2. Como proceder
no banho de chuveiro
1. Separe
antecipadamente as roupas pessoais.
2. Prepare
o banheiro e coloque num lugar de fácil acesso os objetos necessários para o
banho.
3. Regule a
temperatura da água.
4. Mantenha
fechadas portas e janelas para evitar as correntes de ar.
5. Retire a
roupa da pessoa ainda no quarto e a proteja com um roupão ou toalha.
6. Evite
olhar para o corpo despido da pessoa a fim de não constrangê-la.
7.
Coloque a pessoa no banho e não a deixe sozinha porque ela pode escorregar e
cair.
8.
Estimule, oriente, supervisione e auxilie a pessoa cuidada a fazer sua higiene.
Só faça aquilo que ela não é capaz de fazer.
9.
Após o banho, ajude a pessoa a se enxugar. Seque bem as partes íntimas, dobras
de joelho, cotovelos, debaixo das mamas, axilas e entre os dedos.
A
higiene dos cabelos deve ser feita no mínimo três vezes por semana. Diariamente
inspecione o couro cabeludo observando se há feridas, piolhos, coceira ou áreas
de quedas de cabelo.
Os cabelos curtos facilitam a higiene, mas lembre-se de consultar
a pessoa antes de cortar seus cabelos, pois ela pode não concordar por questão
religiosa ou por outro motivo.
O banho de chuveiro pode ser feito com a pessoa sentada numa
cadeira de plástico com apoio lateral colocada sobre tapete antiderrapante, ou
em cadeiras próprias para banhos, disponíveis no comércio.
19.3. Como proceder
no banho na cama:
Quando
a pessoa não consegue se locomover até o chuveiro o banho pode ser feito na cama.
Caso a
pessoa seja muito pesada ou sinta dor ao mudar de posição, é bom que o cuidador
seja ajudado por outra pessoa no momento de dar o banho no leito. Isso é
importante para proporcionar maior segurança à pessoa cuidada e para evitar
danos à saúde do cuidador.
Antes
de iniciar o banho na cama, prepare todo o material que vai usar: papagaio,
comadre, bacia, água morna, sabonete, toalha, escova de dente, lençóis, forro
plástico e roupas. É conveniente que o cuidador proteja as mãos com luvas de
borracha. Existe no comércio materiais próprios para banhos, no entanto o
cuidador pode improvisar materiais que facilitem a higiene na cama.



1. Antes de
iniciar o banho cubra o colchão com plástico.
2. Iniciar
a higiene corporal pela cabeça.
3. Com um
pano molhado e pouco sabonete, faça a higiene do rosto, passando o pano
no rosto, nas orelhas e no pescoço. Enxágüe
o pano em água limpa e passe na pele
até retirar toda a espuma, secar bem.
4. Lavagem
dos cabelos:
5. Cubra
com plástico um travesseiro e coloque a pessoa com a cabeça apoiada nesse
travesseiro que deve estar na beirada da cama.
6. Ponha,
embaixo da cabeça da pessoa, uma bacia ou balde para receber a água.
7. Molhe a
cabeça da pessoa e passe pouco xampu.
8.
Massageie o couro cabeludo e derrame água aos poucos até que retire toda a
espuma.
9. Seque os
cabelos.
10. Lave
com uma pano umedecido e sabonete os braços, não se esquecendo das axilas, as
mãos, tórax e a barriga. Seque bem, passe desodorante, creme hidratante e cubra
o corpo da pessoa com lençol ou toalha. Nas mulheres e pessoas obesas é preciso
secar muito bem a região em baixo das mamas, para evitar assaduras e micoses.
19.4. Como proceder
quando a pessoa usa prótese bucal
As
próteses são partes artificiais, conhecidas como dentadura, ponte fixa ou ponte
móvel, colocadas na boca para substituir um ou mais dentes. A prótese é
importante tanto para manter a autoestima da pessoa, como manter as funções dos
dentes na alimentação, na fala e no sorriso. Por todos esses motivos e sempre
que possível à prótese deve ser mantida na boca da pessoa, mesmo enquanto ela
dorme.
Quando
for proceder a limpeza na boca da pessoa que usa prótese, realiza-se da
seguinte maneira:
1. Retire a
prótese e a escove fora da boca, com escova de dente de cerdas mais duras e sabão neutro ou pasta dental;
2. Para a
limpeza das gengivas, bochechas e língua o cuidador pode utilizar escova
de cerdas mais macias ou com um pano
ou gaze umedecidas em água. O movimento de limpeza da língua é realizado de
dentro para fora, sendo preciso cuidar para que a escova não toque o final da língua,
pois pode machucar a garganta e provocar ânsia de vômito.
3. Enxaguar
bem a boca e recolocar a prótese.
Quando for
necessário remover a prótese, coloque-a em uma vasilha com água e em lugar seguro para evitar queda. A água da
vasilha deve ser trocada diariamente. Não
se deve utilizar produtos como água sanitária, álcool, detergente para
limpar a prótese, basta fazer a higiene com água
limpa, sabão neutro ou pasta dental.
A limpeza da boca deve ser feita mesmo que
a pessoa cuidada não tenha dentes e
não use prótese.
19.5. Doenças da
boca
Algumas
doenças e alguns medicamentos podem provocar sangramento e inflamação nas
gengivas. Além disso, a boca da pessoa doente ou incapacitada está mais sujeita
às feridas, às manchas esbranquiçadas ou vermelhas e cárie nos dentes.
a) Cárie dental
A cárie é a doença causada pelas
bactérias que se fixam nos dentes. Essas bactérias em
ácidos os restos de alimentos, principalmente doces, que ficam grudados nos
dentes. Os ácidos corroem e furam o esmalte dos dentes.
A alimentação saudável e boa higiene da boca e dentes ainda é a
melhor e mais
eficiente
maneira de se prevenir a cárie dos dentes.
b) Sangramento das gengivas
Quando não é feita uma boa limpeza da boca, dentes e prótese, as
bactérias presentes na boca formam uma massa amarelada que irrita a gengiva
provocando inflamação e sangramento.
Para prevenir e tratar a irritação das gengivas e acabar com o
sangramento é necessário melhorar a escovação no local da gengiva que está vermelha
e sangrando.
Durante a limpeza haverá sangramento, mas à medida que for sendo
retirada a placa de bactérias e melhorada a escovação, o sangramento diminui
até desaparecer.
c) Feridas na boca
Durante a limpeza da boca o cuidador deve observar a presença de
ferida nas bochechas, gengivas, lábios e embaixo da língua e comunicar à equipe
de saúde.
20. ALIMENTAÇÃO POR SONDA (DIETA ENTERAL)
“Sou como você me vê. Posso ser leve
como uma brisa ou forte como uma ventania.
Depende de quando e como você me vê passar.”
Clarisse Lispector.
Segundo a Portaria n° 337, a ANVISA define
nutrição enteral como “Alimentação para fins especiais, com ingestão controlada
de nutrientes, na forma isolada ou combinada, com composição química definida
ou estimada, especialmente elaborada para uso por sondas ou via oral,
industrializadas ou não, utilizada de forma exclusiva ou parcial para
substituir ou complementar a alimentação oral em pacientes desnutridos ou não,
conforme suas necessidades nutricionais, em regime hospitalar, domiciliar ou
ambulatorial, visando a síntese ou manutenção de tecidos, órgãos ou sistemas.”
São dietas especificamente elaboradas para
pacientes que, durante o curso ou recuperação de uma doença, necessitam de um
aporte de nutrientes específico, não complementado pela alimentação normal, ou
que estão impossibilitados (ou têm dificuldade) de receber alimentação via
oral, portanto a recebem, nesse caso, via sonda.

A dieta enteral é fornecida na forma líquida por meio de uma
sonda, que colocada no nariz ou na boca vai até o estômago ou intestino. Assim,
é possível fornecer os nutrientes que a pessoa necessita independente da sua
cooperação, fome ou vontade de comer.
A
alimentação por sonda é usada nas seguintes situações:
1.
Para ajudar na cicatrização de feridas.
2.
Para controlar a diarréia, prisão de ventre e vômitos.
3.
Para preparar o organismo para algumas cirurgias e tratamentos de
quimioterapia,
radioterapia
e diálise.
4.
Quando a pessoa não pode se alimentar pela boca.
5.
Quando a quantidade de alimentos que a pessoa come não está sendo
suficiente.
6.
Quando há necessidade de aumentar a quantidade de calorias sem aumentar a
quantidade de comida.
Em
algumas situações a pessoa recebe alimentação mista, isso é, se alimenta pela
boca e recebe um complemento alimentar pela sonda.
A nutrição enteral pode ser preparada em casa ou industrializada.
As dietas caseiras são preparadas com alimentos naturais cozidos e passados no
liquidificador e coados, devem ter consistência líquida e sua validade é de 12
horas após o preparo. A dieta industrializada já vem pronta para o consumo, tem
custo mais alto e pode ser utilizada por 24 horas depois de aberta.
A alimentação enteral deve ser prescrita pelo médico ou
nutricionista e a sonda deve ser colocada pela equipe de enfermagem. A fixação
externa da sonda pode ser trocada pelo cuidador, desde que tenha cuidado para
não deslocar a sonda. Para fixar a sonda é melhor utilizar esparadrapo
antialérgico, mudando constantemente o local de fixação, assim se evita ferir a
pele ou as alergias.
O
cuidador deve seguir os seguintes cuidados quando a pessoa estiver recebendo a
dieta enteral:
1.
Antes de dar a dieta coloque a pessoa sentada na cadeira ou na cama, com as
costas bem apoiadas, e a deixe nessa posição por 30 minutos após o término da
alimentação. Esse cuidado é necessário para evitar que em caso de vômitos ou
regurgitação, restos alimentares entrem nos pulmões.
2.
Pendure o frasco de alimentação enteral num gancho, prego ou suporte de vaso em
posição bem mais alta que a pessoa, para facilitar a descida da dieta.
3.
Injete a dieta na sonda lentamente gota a gota. Esse cuidado é importante para
evitar diarréia, formação de gases, estufamento do abdome, vômitos e também
para que o organismo aproveite melhor o alimento e absorva seus nutrientes.
4. A
quantidade de alimentação administrada de cada vez deve ser de no máximo 350 ml,
várias vezes ao dia; ou de acordo com a orientação da equipe de saúde.
5. Ao
terminar a alimentação enteral injete na sonda 20 ml de água fria, filtrada ou
fervida, para evitar que os resíduos de alimentos entupam a sonda.
6.
Para as pessoas que não podem tomar água pela boca ofereça água filtrada ou
fervida entre as refeições, em temperatura ambiente, por meio de seringa ou
colocada no frasco descartável. A quantidade de água deve ser definida pela
equipe de saúde.
7. A
sonda deve permanecer fechada sempre que não estiver em uso.
8. A
dieta enteral de preparo caseiro deve ser guardada na geladeira e retirada 30
minutos antes do uso, somente a porção a ser dada.
9. A
dieta deve ser dada em temperatura ambiente, não há necessidade de aquecer a
dieta em banho-maria ou em microondas.
![]() |
Atenção: Se a sonda se deslocar ou tiver sido retirada acidentalmente,
não tente recolocá-la, chame a equipe de saúde.
Para
o preparo e administração de dieta enteral alguns cuidados de higiene são muito
importantes:
1.
Lave o local de preparo da alimentação com água e sabão.
2.
Lave bem as mãos com água e sabão antes de preparar a dieta.
3.
Pese e meça todos os ingredientes da dieta, seguindo as instruções da equipe de
saúde.
4.
Utilize sempre água filtrada ou fervida.
5.
Lave todos os utensílios com água corrente e sabão.
6.
Lave com água e sabão o equipo, a seringa e o frasco e enxágüe com água
fervendo.
Uma maneira simples de verificar se a nutrição enteral está
ajudando na recuperação da pessoa é observar freqüentemente se ela está mais
disposta, se o aperto de mão é mais firme e se consegue caminhar um pouco mais
a cada dia. Caso a pessoa esteja inconsciente, o cuidador pode verificar se a
pele está mais rosada, e menos flácida, se os músculos estão ficando mais
fortes. Sempre que for possível é bom pesar a pessoa.
21. ACOMODAÇÃO DO PACIENTE
“Tudo o que um sonho precisa para ser realizado é alguém
que acredite que ele possa ser realizado.”
Roberto Shinyashiki
Em
relação ao quarto do idoso, mantenha-o sempre bem limpo e arejado, abra as
janelas periodicamente para que entre luz solar, na cama, utilize lençóis
limpos, secos, sem pregas e sem rugas, não deixar restos de comida ou farelos,
para isso é importante que o idoso possa ser levado a um local específico para
realização de suas refeições, como a cozinha. Limpe o colchão sempre que
necessário atente para o estado de conservação do colchão, travesseiros e
impermeável (lençol de couro ou outro material sintético que impede a passagem
de líquido, geralmente é posto na região das nádegas do idoso e sobre ele um
lençol de pano), não arrastar as roupas de cama no chão, nem sacudir, não é
necessário alisar as roupas de cama, mas ajeitá-las pelas pontas para que essas
fiquem bem lisas.
21.1. Acomodando a
pessoa cuidada na cama
A cama deve
ter altura suficiente, para que facilite uma boa postura do cuidador.
Dependendo do grau de dependência, as camas com recursos hospitalares são
indicadas, pois elas permitem mudanças de posição, facilitando o correto
posicionamento no leito. Na impossibilidade de adquirir ou de alugar uma cama
hospitalar, uma cama comum pode ser adaptada.
Para a
elevação da altura, podem-se improvisar suportes nos pés de acordo com a altura
do cuidador. Para o posicionamento anatômico, podem-se adaptar recursos
domésticos, por exemplo, rolos de pano para elevar os membros inferiores,
travesseiros e almofadas de vários tamanhos e formatos etc.
Um dos
pontos importantes é fazer a cama com os lençóis bem esticados, sem rugas, para
evitar lesões de pele que favorecem a ocorrência das temidas úlceras por
pressão (escaras). As capas impermeáveis para os colchões, assim como a
colocação de material impermeável sob o lençol na altura da genitália, evitam em parte a
ocorrência de odores desagradáveis. As grades laterais de proteção são
indicadas como medida adicional de segurança, especialmente úteis à noite e
para pacientes agitados.
A
posição em que a pessoa permanece deitada pode causar dores na coluna e
dificuldades respiratórias e dessa maneira diminuir a qualidade do sono. A
seguir é descrito como deitar a pessoa cuidada da forma correta nas diversas
posições.
a) Deitada de costas

Coloque um travesseiro fino e firme embaixo
da cabeça da pessoa de maneira que o pescoço fique no mesmo nível da coluna.
Coloque um travesseiro ou cobertor fino embaixo da barriga das pernas, assim
diminui a pressão dos calcanhares sobre a cama. Dobre os cotovelos levemente e
coloque as mãos da pessoa apoiadas nos quadris. Mantenha as pernas da pessoa esticadas
e as pontas dos dedos voltadas para cima. Apóie os pés em uma almofada
recostada na guarda final da cama, a uma inclinação de 60º ou 90º.
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Atenção:
A diarréia pode ser
uma ocorrência comum em pessoas
que
recebem alimentação enteral. Por isso, é preciso ter muita
higiene
no preparo e administração
b) Deitada de lado

Coloque a pessoa deitada de um dos lados. Coloque um travesseiro
fino sob a cabeça e o pescoço de modo que a cabeça fique alinhada com a coluna.
Escore as costas da pessoa com um travesseiro maior, para evitar que ela vire
de costas, e coloque outro travesseiro entre os braços da pessoa para dar maior
conforto. A perna que fica por cima deve estar levemente dobrada e apoiada em
um travesseiro, a fim de mantê-la no nível dos quadris.
Dobre levemente o joelho e coloque uma toalha dobrada, ou cobertor
ou edredom fino, a fim de manter o tornozelo afastado do colchão.
c) Deitada de bruços

Deite
a pessoa de bruços, vire a cabeça delicadamente para um dos lados
acomodando-a
com um travesseiro fino ou toalha dobrada. Ajude a pessoa a flexionar
os braços
para cima de modo que os cotovelos fiquem nivelados com os ombros.
Depois,
coloque toalhas dobradas embaixo do peito e do estômago. Por fim, ajeite as
pernas apoiando os tornozelos e elevando os pés com uma toalha ou lençol
enrolado.
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Fique
Atento: Ter maior cuidado no posicionamento da pessoa
que
apresenta parte do corpo que não se movimenta (braço ou perna
“esquecida”), para evitar surgimento de feridas e deformidades.
No caso de seqüela de derrame, o braço comprometido deve
estar sempre estendido e apoiado em um travesseiro e a perna
afetada
deve ser colocada ligeiramente dobrada e apoiada com um
travesseiro
embaixo do joelho, impedindo que a perna fique toda esticada.
21.2. Mudança de posição do corpo
As pessoas com algum tipo de incapacidade, que passam a maior
parte do tempo na cama ou na cadeira de rodas, precisam mudar de posição a cada
2 horas.
Esse cuidado é importante para prevenir o aparecimento de feridas
na pele (úlceras de pressão) - que são aquelas feridas que se formam nos locais
de maior pressão, onde estão as pontas ósseas como: calcanhar, final da coluna,
cotovelo, cabeça, entre outras regiões.
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Atenção: Se a pessoa consegue ficar em pé com ajuda
do cuidador, mesmo por pouco tempo, é importante que o
cuidador encoraje, apoie e estimule a pessoa a ficar nessa
posição, pois isso ajuda a melhorar a circulação do sangue e a
evitar as feridas.
21.3. Mudança da
cama para a cadeira

Quando a pessoa está há muitos dias deitada, é preciso que o
cuidador faça a mudança da posição deitada para sentada e depois em pé, pois a
pessoa pode sentir fraqueza nas pernas, tonturas e vertigem. Cuidador, siga os
seguintes passos:
a) Caso a cama seja de hospital, trave as rodas e abaixe as
laterais, mova as pernas da pessoa para o lado, segurando a pessoa com firmeza
pelos ombros. Peça a pessoa que se apóie firmemente nos braços e levante o
corpo da cama. Com a pessoa já sentada na cama, solicite a ela que apóie os
dois pés no chão.
b) Para evitar que a pessoa se desequilibre e caia, permaneça na
frente dela enquanto ela se acostuma a ficar sentada e a movimentar as pernas.
c) Quando a pessoa não mais se sentir tonta ou cansada, calce-lhe sapatos
antiderrapantes, traga-a para a beira da cama, posicione seus pés firmemente no
chão e peça-lhe para tentar se levantar, estando alerta para ajudá-la caso se
desequilibre.
d) Se a pessoa precisar de ajuda para ficar de pé, posicione-se de
forma que os joelhos da pessoa cuidada fiquem entre os seus. Então se abaixe,
flexionando levemente as pernas, passe os braços em volta da cintura da pessoa
e peça-lhe para a pessoa cuidada dar impulso. Erga-se trazendo-a junto.

e)
Guie a pessoa até uma cadeira. Posicione-a de costas para a cadeira, com os
joelhos
flexionados e as costas eretas. Caso a cadeira tenha braços, peça à pessoa
cuidada para se apoiar nos braços da cadeira ao sentar.
Caso
a pessoa não movimente o braço, é preciso que a poltrona ou cadeira onde essa
pessoa vai se sentar tenha apoio lateral resistente para que o braço afetado
possa ficar bem apoiado.
21.4. Quando o cuidador necessita de um
ajudante para mudar a posição do paciente
Quando
a pessoa cuidada tem muita dificuldade para se movimentar, tem falta de
equilíbrio ou é muito pesada, o cuidador deve chamar outra pessoa para ajudá-lo
na movimentação ou mudança de posição da pessoa cuidada. Explique à pessoa
cuidada e também ao ajudante o que será realizado. A seguir é descrito como se
deve proceder:
a) A
pessoa cuidada cruza os braços e o cuidador pega a parte superior do corpo
abraçando o
tronco e apoiando as mãos nos braços cruzados da pessoa cuidada.
b) O
ajudante segura as pernas da pessoa cuidada.
c) Os
movimentos devem ser combinados e realizados ao mesmo tempo, por isso o
cuidador deve contar 1, 2 e 3 antes de iniciarem a movimentação da pessoa
cuidada. Ao levantar a pessoa, o cuidador e o ajudante devem flexionar os
joelhos, de modo a ficar com as pernas levemente dobradas, isto evita forçar a
coluna e proporciona maior segurança.
21.5. Ajudando a pessoa cuidada a caminhar
Se a
pessoa cuidada consegue andar mesmo com dificuldade, é importante que o
cuidador anime, estimule e apóie a pessoa a fazer pequenas caminhadas, de
preferência em lugares arejados. A caminhada é uma atividade importante, pois
ajuda a melhorar a circulação sangüínea e a manter o funcionamento das
articulações, entre outros benefícios.
Para
isso o cuidador coloca uma mão embaixo do braço ou na axila da pessoa,
segurando com sua outra mão a mão da pessoa cuidada. O cuidador pode também
ficar em frente da pessoa segurando-a firmemente pelos antebraços e
estimulando-a a caminhar olhando para frente.

A pessoa que sofre de demência deve ser estimulada a
fazer o mesmo trajeto durante as caminhadas e o cuidador deve mostrar a ela os
pontos de referência, falando o nome das coisas que vão encontrando pelo
caminho Para ajudar a pessoa que possui parte do corpo que não movimenta, o
cuidador deve apoiar pelo lado afetado.
22. EXERCÍCIOS
“A mente que se abre a uma nova idéia jamais
voltará
ao
seu tamanho original.”
Eduardo
Costa
Uma das atividades do cuidador é ajudar a pessoa cuidada a se
recuperar, isso é, ajudá-la a recuperar movimentos e funções do corpo,
prejudicados pela doença.
Alguns exercícios podem ser feitos mesmo que a pessoa cuidada
esteja na cama ou em cadeira de rodas. Exemplos de alguns exercícios que podem
ser feitos com a pessoa cuidada na cama ou na cadeira de rodas:
• Movimente cada um dos dedos dos pés, para cima e para baixo,
para os lados e com movimentos de rotação.
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Atenção: Para evitar escorregões é melhor que o cuidador
e a pessoa cuidada usem
sapatos baixos, bem ajustados e amarrados.

a)
Segure o tornozelo e movimente o pé para
cima, para baixo, para os dois lados e em movimentos circulares.

b) Dobre e estenda uma das pernas, repita
o movimento com a outra perna (sem atritar o calcanhar na cama, que favorece o
surgimento de feridas).

c) Com os pés da pessoa apoiados na cama
e os joelhos dobrados, faça movimentos de separar e unir os joelhos.

d) Com os pés apoiados na cama e os
joelhos dobrados, solicite que a pessoa cuidada levante os quadris e abaixe
lentamente.

e) Levante e abaixe os braços da pessoa,
depois abra e feche.

f) Faça movimentos de dobrar e estender
os cotovelos, os punhos e depois os dedos.

g)
Ajude a pessoa a flexionar suave e lentamente
a cabeça para frente e para trás, para um lado e depois para o outro, isto
alonga os músculos do pescoço. Estimule para que a pessoa faça os movimentos
sozinha, se necessário o cuidador pode ajudá-la. No caso de tonturas suspenda o
movimento até melhorar do sintoma.
h) Peça à pessoa cuidada que encha as
bochechas de ar e depois murche a bochecha para dentro; a seguir peça a ela que
coloque a língua para fora e movimente de um lado para o outro; feche os olhos
com força fazendo caretas.

É importante que o cuidador estimule a pessoa cuidada a utilizar
ao máximo o lado do corpo que está comprometido, realizando com o lado afetado
todos os exercícios citados anteriormente. Caso seja necessário, o cuidador
pode ajudá-la na realização desses exercícios.
Sempre que possível é bom que a porta do quarto e os móveis
estejam do lado mais comprometido, pois isso faz com que a pessoa se volte mais
para esse lado estimulando os movimentos do membro afetado.
22.1. Exercícios respiratórios
Quando a pessoa cuidada está com os movimentos limitados ou
permanece acamada por longos períodos é comum que se acumule secreção (catarro)
nos pulmões. Por isso é importante que o cuidador a estimule e ajude a fazer
exercícios respiratórios para eliminar essas secreções, melhorar a entrada de
ar nos pulmões e prevenir o aparecimento de pneumonia. A seguir serão descritos
alguns exercícios, que dependendo das condições físicas da pessoa cuidada,
podem ser feitos com a pessoa deitada, sentada ou em pé:
1. Ajude a pessoa a se sentar e peça a ela que coloque as mãos
sobre a barriga, puxe o ar pelo nariz, e solte pela boca, de forma lenta e
prolongada. Dessa forma ela vai perceber a mão se movimentando para cima quando
o pulmão enche e para baixo quando solta o ar.
2. Peça à pessoa para puxar o ar pelo nariz e ao mesmo tempo
levantar os braços estendidos, depois peça para a pessoa soltar o ar pela boca
abaixando os braços.
Atenção: É importante oferecer à
pessoa cuidada maior quantidade de
líquido
para facilitar a saída do catarro e estimulá-la a tossir e cuspir. Procure
observar
a cor do catarro, pois se o catarro estiver amarelo, verde ou com sangue é
preciso comunicar à equipe de saúde.
O
ambiente da casa precisa estar sempre limpo, arejado e livre de fumaça e
poeira.
A limpeza do chão e dos móveis deve ser feita diariamente com pano úmido.
Os produtos de limpeza com cheiro forte devem ser evitados, pois
podem provocar alergias
e alterações respiratórias.
22.2. Estimulando o
corpo e os sentidos
A
pessoa que permanece um longo período em uma mesma posição fica com a sua
circulação, seus movimentos e sua sensibilidade comprometidos. Massagens,
exercícios e até mesmo o toque ajudam a ativar a circulação e a melhorar os
movimentos. Podem ser feitos com a mão, com uma esponja macia, toalha ou com
panos de várias texturas. Nas massagens é bom usar creme ou óleo.
As massagens
podem ser feitas no corpo todo. Os toques e massagens ajudam a pessoa a
perceber o próprio corpo e a relaxar, além de ativar a circulação.
Outras
maneiras de estimular os sentidos da pessoa cuidada:
•
Leia para ela trechos de livro, jornal ou revista.
• Coloque
para tocar a música que ela mais gosta de ouvir. Se a pessoa consegue se
movimentar, coloque o rádio ou o aparelho de som numa distância que ela consiga
ligar e desligar sozinha.
•
Mostre gravuras, revistas ou fotos e converse com ela sobre o que está sendo
mostrado, quem são as pessoas das fotos, pois isso ajuda a pessoa a manter
ativa a memória.
•
Estimule a pessoa cuidada a realizar atividades de sua preferência e que lhe
proporcionem prazer, respeitando o que ela pode e o que ela não consegue fazer.
•
Encoraje a pessoa cuidada, desde que ela se sinta bem, a ajudar nas atividades
domésticas simples, como varrer, tirar o pó, pois assim ela se sente útil e
participante.
•
Se a pessoa cuidada exercia uma atividade profissional, estimule-a a continuar
quando possível, pois isso ajuda a ocupar o tempo e diminui o estresse.
•
Converse com a família sobre a importância de incluir a pessoa cuidada nas
atividades sociais da família e da comunidade, tais como: sair para fazer
compras, visitar alguém, ir a uma festa, encontrar os amigos, ir à igreja e se
distrair. Os amigos ou parentes que acompanham a pessoa nessas atividades devem
respeitar suas limitações e transmitir calma e segurança.
A pessoa cuidada com demência se sente melhor quando existe uma
rotina de horários para as atividades do dia-a-dia. Essa rotina é extremamente
importante, pois isso ajuda a pessoa a organizar sua mente.
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Fique
Atento: A falta de interesse em participar de
atividades pode
significar que a pessoa não está conseguindo realizar ou não gosta
da
atividade oferecida. Procure conhecer melhor o que a pessoa gosta
de
fazer e peça ajuda da equipe de saúde para encontrar outras atividades
interessantes.
23. ADAPTAÇÕES AMBIENTAIS
“Quando
os ventos de mudança sopram, umas pessoas levantam
barreiras, outras constroem moinhos de vento.”
Érico
Veríssimo
Muitas vezes é preciso fazer algumas adaptações no ambiente da
casa para melhor abrigar a pessoa cuidada, evitar quedas, facilitar o trabalho
do cuidador e permitir que a pessoa possa se tornar mais independente.
O
lugar onde a pessoa mais fica deve ter somente os móveis necessários. É
importante
manter
alguns objetos que a pessoa mais goste de modo a não descaracterizar totalmente
o ambiente. Cuide para que os objetos e móveis não atrapalhem os locais de
circulação e nem provoquem acidentes.
Alguns
exemplos de adaptações:


a)
As cadeiras, camas, poltronas e vasos
sanitários mais altos do que os comuns facilitam a pessoa cuidada a sentar,
deitar e levantar. O cuidador ou outro membro da família podem fazer essas
adaptações. Em lojas especializadas existem levantadores de cama e cadeiras e
vasos sanitários.
b)
Antes
de colocar a pessoa sentada numa cadeira de plástico, verifique se a cadeira
suporta o peso da pessoa e coloque a cadeira sobre um piso antiderrapante, para
evitar escorregões e quedas.
c)
O
sofá, poltrona e cadeira devem ser firmes e fortes, ter apoio lateral, que
permita à pessoa cuidada se sentar e se levantar com segurança.
d)
Se
a pessoa cuidada não controla a saída de urina ou fezes é preciso cobrir com
plástico a superfície de cadeiras, poltronas e cama e colocar por cima do
plástico um lençol para que a pele não fique em contado direto com o plástico,
pois isso pode provocar feridas.
e)
Sempre
que possível, coloque a cama em local protegido de correntes de vento, isso é,
longe de janelas e portas.
f) Retire tapetes, capachos, tacos e fios
soltos, para facilitar a circulação do cuidador e da pessoa cuidada e também
evitar acidentes.
g)
Sempre que for possível é bom ter barras de
apoio na parede do chuveiro e ao lado do vaso sanitário, assim a pessoa cuidada
se sente segura ao tomar banho, sentar e levantar do vaso sanitário, evitando
se apoiar em pendurador de toalhas, pias e cortinas.
h) O banho de chuveiro se
torna mais seguro com a pessoa cuidada sentada em uma cadeira, com apoio
lateral.
i) Piso escorregadio causa
quedas e escorregões, por isso é bom utilizar tapetes anti derrapantes
(emborrachados) em frente ao vaso sanitário e cama, no chuveiro, embaixo da
cadeira.
j) A iluminação do ambiente
não deve ser tão forte que incomode a pessoa cuidada e nem tão fraca que
dificulte ao cuidador prestar os cuidados. É bom ter uma lâmpada de cabeceira e
também deixar acesa uma luz no corredor.
k) Os objetos de uso pessoal
devem estar colocados próximos à pessoa e numa altura que facilite o manuseio,
de modo que a pessoa cuidada não precise se abaixar e nem se levantar para
apanhá-los.
l) As escadas devem ter
corrimão dos dois lados, faixa ou piso antiderrapante e ser bem iluminadas. As
pessoas idosas ou com certas doenças neurológicas podem ter dificuldades para
manusear alguns objetos por ter as mãos trêmulas. Algumas adaptações ajudam a
melhorar o desempenho e a qualidade de vida da pessoa.
m) Enrole fita adesiva ou um
pano nos cabos dos talheres e também no copo, caneta, lápis, agulha de crochê,
barbeador manual, pente, escova de dente.
Assim os objetos ficam mais grossos e pesados o que facilita à
pessoa coordenar seus movimentos para usar esses objetos.
n) Coloque o prato, xícara e
copo em cima de um pedaço de material
emborrachado para que não escorregue.
24.
ÚLCERAS DE PRESSÃO/ESCARAS/FERIDAS
“Se um dia a razão te pedir para desistir e o coração te
mandar lutar,
lute pois não é a razão que bate pra você viver e sim o
coração.”
Cello Menezes
As escaras são feridas que surgem na pele quando da
pessoa que permanece muito tempo numa mesma posição. É causada pela diminuição
da circulação do sangue nas áreas do corpo que ficam em contato com a cama ou
com a cadeira.
Os locais mais comuns onde se formam
as escaras são: região final da coluna, calcanhares, quadril, tornozelos, entre
outros, conforme indica a figura a seguir:






24.1. Como prevenir
as escaras
Estimule a pessoa cuidada a mudar de posição pelo menos a cada 2
horas. À noite, o cuidador pode mudar a pessoa de posição quando acordar a
pessoa cuidada para dar medicação, ou fizer outro cuidado.
Ao mudar a pessoa de lugar ou de posição, faça isso com muito
cuidado, evitando que a pele roce no lençol ou na cadeira, pois a pele está
muito fina e frágil e pode se ferir. Mantenha a roupa da cama e da pessoa bem
esticada, pois as rugas e dobras da roupa podem ferir a pele.
Se a pessoa cuidada fica a maior parte do tempo em cadeira de
rodas ou poltrona, é preciso ajudá-la a aliviar o peso do corpo sobre as
nádegas, da seguinte maneira:
a)
Se
a pessoa tem força nos braços: oriente a pessoa cuidada a sustentar o peso do
corpo ora sobre uma nádega, ora sobre a outra.
b)
Se
a pessoa não consegue se apoiar nos braços: o cuidador deve ajudá-la a se
movimentar. Procure orientações da equipe de saúde como auxiliar a pessoa
cuidada nessa movimentação.
c)
Alguns apoios podem ajudar a pessoa a se
segurar e mudar de posição sozinha podem ser comprados ou improvisados em casa:
barras de apoio para cabeceiras da cama, faixas de pano amarradas na cabeceira,
nas laterais ou nos pés da cama ajudam a pessoa a levantar ou mudar de posição
na cama.
d) O colchão de espuma tipo “caixa de
ovo” ou piramidal ajuda a prevenir as escaras, pois protege os locais do corpo
onde os ossos são mais salientes e ficam em contato com o colchão ou a cadeira.

e) Quando a pessoa não consegue controlar
a saída de urina e/ou fezes, é necessário proteger o colchão com plástico,
apenas na região das nádegas, e por cima do plástico colocar um lençol de
algodão. A pele não deve ficar em contato com o plástico.
f) Proteja os locais do corpo onde os
ossos são mais salientes com travesseiros, almofadas, lençóis ou toalhas
dobradas em forma de rolo, entre outros.



g)
Leve a pessoa a um local onde possa tomar sol
por 15 a 30 minutos, de preferência antes das 10 e depois das 16 horas, com a
pele protegida por filtro solar. O sol fortalece a pele, fixa as vitaminas no
corpo e ajuda na cicatrização das escaras.
h) Ao colocar a comadre, peça
ajuda a outra pessoa e cuide para não roçar a pele da pessoa na comadre.
i) A pele da pessoa cuidada
precisa ser freqüentemente avaliada e bem
hidratada.
Para
manter a hidratação da pele é preciso:
- Oferecer líquidos em pequenas quantidades na forma de água,
sucos e chás várias vezes ao dia, mesmo que a pessoa cuidada não demonstre
sentir sede.
Esse
cuidado é importante, principalmente para crianças e idosos, pois esses podem
rapidamente ficar desidratados.
- Após o banho, massagear a pele da pessoa cuidada com creme ou
óleo apropriado, esse cuidado além de hidratar a pele melhora a circulação do
sangue.
- Se a pessoa cuidada utilizar fraldas é necessário trocá-las cada
vez que urinar e evacuar, para evitar que a pele fique úmida;
- Procure alimentar a pessoa fora da cama para evitar que os
resíduos de alimentos caídos no lençol machuquem a pele e possam provocar
escaras. Caso seja necessário alimentar a pessoa na cama, é preciso catar todos
os farelos e resíduos de alimentos que possam ter caído.
24.2. Tratamento
das escaras
O tratamento da escara é definido pela equipe de saúde,
após avaliação. Cabe ao cuidador fazer as mudanças de posição, manter a área da
escara limpa e seca, para evitar que fezes e urina contaminem a ferida e seguir
as orientações da equipe de saúde.
25.
SONDA VESICAL DE DEMORA (SONDA PARA URINAR)
“A
vida apesar de dura é mágica, por isso sempre acredite
no
inesperado.”
Maria
Miranda.
A sonda vesical de demora, ou sonda de Folley, é utilizada quando
a pessoa não é capaz de urinar espontaneamente ou de controlar a saída da
urina. Essa sonda possui um pequeno balão interno que depois de cheio prende a
sonda dentro da bexiga. A parte externa da sonda deve ficar presa na coxa da
pessoa de forma a manter a sonda no lugar, permitindo a movimentação. Para
fixar a sonda e evitar ferir a pele ou as alergias é melhor utilizar
esparadrapo antialérgico, mudando constantemente o local de fixação.

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Fique
Atento: Ao fazer a higiene corporal, evite esfregar a
pele com força,
pois isso pode romper a pele. Faça movimentos suaves, use pouca
quantidade de sabonete e enxágüe bem, para que a pele da pessoa
não fique ressecada. A escara surge de uma hora para outra e pode
levar
meses para cicatrizar.
Fora do corpo a sonda liga-se a uma bolsa que armazena a urina e
pode ser fixada na lateral da cama, na cadeira de rodas ou na perna da pessoa.
Este tipo de sonda só pode ser colocado e retirado pela equipe de saúde.
A sonda de demora faz com que a pessoa urine continuamente e, como
essa sonda fica por um tempo dentro da bexiga, é preciso cuidados para se
prevenir infecções, sangramentos e feridas:
a) Lave as mãos antes de
mexer na sonda.
b) Limpe a pele ao redor da
sonda com água e sabão pelo menos duas vezes ao dia para evitar o acúmulo de
secreção.
c) Lave a bolsa ou frasco
coletor de urina uma vez ao dia, com água e sabão e enxágüe com água clorada.
d) Mantenha o frasco ou bolsa
coletora abaixo do nível da cama ou do assento da cadeira, e não deixe que ela fique
muito cheia. Esses cuidados são necessários para evitar que a urina retorne do
frasco para dentro da bexiga.
e) Tome cuidado para não
puxar a sonda, pois isso pode causar ferimentos na uretra.
f) A sonda tem que ficar
livre para que a urina saia continuamente da bexiga, por isso, cuide para que a
perna da pessoa ou outro objeto não comprima a sonda.
g) Se durante algum tempo não
houver urina na bolsa coletora, verifique se a sonda está dobrada, obstruída ou
pressionada pela perna da pessoa. Caso a pessoa não urine num espaço de 4
horas, mesmo ingerindo líquido, procure falar urgentemente com a equipe de
saúde.
Uma pessoa produz e elimina, em média, 1.200 a 1.500 ml de urina
em 24 horas.
Essa
quantidade é modificada pela ingestão de líquido, suor, temperatura externa,
vômitos ou diarréia.
25.1.
Uripen (Sonda para urinar tipo camisinha)
O uripen é
uma sonda externa feita de borracha fina, também conhecida como sonda de
camisinha, pois é colocada no pênis como uma camisinha. A mangueira do uripen é
encaixada a uma bolsa coletora de urina. Existem vários tamanhos de uripen.
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Fique
Atento: Lembre-se que a sonda de demora só pode ser
colocada e retirada pela Equipe de saúde.
Uripen
25.2. Cuidados no uso de uripen
A colocação do uripen é simples e deve ser orientada pela equipe
de saúde.
•
A fixação não deve ficar muito apertada.
•
Evite fixar o uripen com esparadrapo comum, pois pode causar alergias e lesões
no
pênis.
•
É mais fácil colocar o uripen com o pênis em ereção.
•
Manter os pêlos pubianos aparados, pois facilita a utilização do uripen.
•
Retire o uripen uma vez ao dia para lavar e secar bem o pênis.
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Atenção:
Examine o
pênis com freqüência e se estiver com lesões
ou
inchado, deixe a pessoa sem o uripen e utilize fraldas, até que as lesões
estejam
curadas.
26. AUXILIANDO O INTESTINO A FUNCIONAR
“Para conhecermos os
amigos é necessário passar pelo sucesso e
pela desgraça. No
sucesso, verificamos a quantidade e,
na desgraça, a
qualidade.”
Confúcio.
Nem sempre é fácil recuperar o controle do funcionamento
do intestino, no entanto é possível treinar o intestino a evacuar em
determinados períodos. Isso se faz da seguinte maneira:
a) Diariamente, antes do
banho, massageie a barriga da pessoa cuidada com a mão espalmada como se
desenhasse um quadrado, começando pelo lado direito na parte inferior, suba
para o lado direito superior, vá para o lado esquerdo superior, desça a mão
para o lado esquerdo inferior e volte para o lado inferior direito, pois é
dessa forma que o intestino funciona.
b) Deite a pessoa de barriga para cima, segure
suas pernas e estique-as e dobre-as sobre a barriga, essa pressão das pernas
sobre a barriga ajuda a eliminar os gazes que causam desconforto.
As
pessoas acamadas podem perder o controle sobre o funcionamento do intestino e
não sentir quando vão defecar. Isso, além de causar constrangimento à pessoa,
dificulta manter sua higiene, o que pode causar assaduras e escaras (feridas).
Também
é comum a pessoa acamada sentir desconforto abdominal e irritação pelo mau
funcionamento do intestino. O intestino funciona melhor com a pessoa na posição
sentada na privada ou penico.
26.1. Ostomia
Ostomia é uma abertura cirúrgica realizada na parede do
abdome para ligar o estômago, ou parte do intestino ou a bexiga, com o meio
externo. Existem dois tipos de ostomia: para eliminação de fezes e urina ou
para administrar alimentação. A ostomia intestinal e urinária tem uma coloração
rosada, brilhante e úmida e a pele ao seu redor deve estar lisa sem
vermelhidão.
Dependendo do lugar onde foi realizada a abertura a ostomia recebe
um nome:
a)
Gastrostomia ou jejunostomia - liga o estômago ou o jejuno à
parede do abdome e serve para alimentar a pessoa por meio da sonda.
b) Ileostomia ou
colostomia - liga uma parte do intestino à parede do abdome e serve para
eliminar fezes.
c) Urostomia - liga a
bexiga à parede do abdome e serve para eliminar urina.
26.2. Cuidados com
gastrostomia
a) Limpe com
água filtrada sem esfregar a pele em volta da ostomia, retirando secreção ou
sujeiras.
b) Lave a sonda com uma seringa de 50 ml com água, em um único
jato.
c) Antes de alimentar a pessoa pela sonda, teste a temperatura do
alimento no dorso da mão.
d) Injete o alimento lentamente na sonda.
e) Observe se a pessoa apresenta barriga estofada, sensação de
barriga cheia, ou diarréia. A diarréia pode ser causada pela composição do
alimento ou pela administração muito rápida do alimento. Essas ocorrências
devem ser comunicadas à equipe de saúde.
f)
Atentar para não injetar líquidos, alimentos ou água na via da sonda que serve
para manter o balonete de fixação inflado.
g)
Caso a sonda saia, não tente reposicioná-la. Entre em contato com a equipe de
saúde e feche o orifício.
h) Comunique
também à equipe de saúde caso observe saída de secreção ou da dieta pelo local
de inserção da sonda.
26.3. Cuidados com ileostomia, colostomia e
urostomia
Na abertura da ileostomia, colostomia ou urostomia é colada uma
bolsa plástica
para
coletar as fezes ou urina.



26.4. Cuidados com
a bolsa
a) Usar a
bolsa adequada para coleta de fezes ou urina seguindo as orientações do
profissional de saúde.
b) O
recorte da bolsa deve ser sempre de acordo com o tamanho e formato da ostomia.
c) As
bolsas devem ser guardadas em locais limpos, secos e protegidas do sol para
evitar umidade e ressecamento que comprometam a capacidade adesiva da bolsa.
d) A bolsa
deve ser esvaziada sempre que estiver com 1/3 do espaço ocupado com fezes ou
urina.
26.5. Quando trocar a bolsa
A
bolsa pode ser utilizada por cerca de três dias, devendo ser trocada antes
disso quando a resina que cola perder a cor amarela ou quando se perceber
deslocamento ou vazamento.
O Cuidador,
no momento da troca observe os seguintes cuidados:
a) Umedeça
a pele com água morna e descole delicadamente a bolsa para evitar ferir a pele.
b) Não
utilize álcool, benzina ou éter, pois esses produtos podem ser absorvidos pela
ostomia e ressecam a pele.
c) Lave a
ostomia e a pele ao redor delicadamente com água e sabonete neutro sem
esfregar.
d) Seque
com pano macio em toques leves. Não é necessário usar nenhum tipo de produto.
e) Observe
se a ostomia está com coloração saudável, isso é, vermelho vivo ou rosa
brilhante.
Para
colocar uma nova bolsa:
a) Recorte
a bolsa de acordo com o tamanho e formato da ostomia.
b) Retire o
papel que protege o adesivo.
c) Coloque
a bolsa de baixo para cima e pressione até que esteja bem colada a pele.
d) Feche a
parte de baixo com o clamp.
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Atenção:
A bolsa coletora deve
estar bem fixa na pele ao redor
da
abertura para evitar que as fezes ou urina entrem em contado
com a
pele e causem irritações.
A
pessoa com ostomia deve ser avaliada pela equipe de saúde
quando
a ostomia ou a pele ao redor apresentar vermelhidão,
coceira,
feridas, pus ou dor e quando não houver eliminação de fezes,
gases
ou urina.
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|||
Atenção: A bolsa não deve ser retirada e recolocada sem que
haja necessidade, porque vai perdendo a cola.
26.6. Cuidados com
a bolsa da ostomia no banho
A
bolsa da ostomia é impermeável, não sendo necessário retirá-la antes do banho.
É bom cobri-la com um saco plástico e fita adesiva.
Quando
for necessário substituir a bolsa use o momento do banho para fazer a retirada.
A água e o sabão não prejudicam a ostomia. Deve-se cuidar para que o jato forte
do chuveiro não atinja a abertura da ostomia, pois pode provocar sangramento.

27. EMERGÊNCIA NO DOMICÍLIO
“O
único lugar onde o sucesso vem antes do trabalho
é no dicionário.”
Albert
Einstein
Emergência é sempre uma situação grave que acontece de repente e
que requer
uma
ação imediata com a finalidade de resguardar a vida da pessoa. A pessoa cuidada
por estar mais frágil e debilitada pode, de uma hora para outra, ter uma piora
súbita em seu estado geral ou sofrer um acidente.
Esteja atento para perceber uma emergência e procure ajuda para
lidar com essa situação de maneira firme e segura. Portanto, a emergência
requer cuidados imediatos, com a finalidade de evitar complicações graves ou a
morte da pessoa cuidada.
A pessoa idosa pode ter mais de uma doença crônica, como por
exemplo: diabetes e hipertensão arterial, seqüelas de derrame e Parkinson e por
isso seu estado geral pode se alterar muito rapidamente.
O aparecimento súbito de sinais que a pessoa não tinha
anteriormente, tais como: sonolência excessiva, confusão mental, agitação,
agressividade pode indicar uma situação de emergência.
É importante manter em local visível e de fácil acesso os números
de telefones dos serviços de pronto-socorro, como o SAMU 192, para onde se
possa ligar em casos de emergência.
27.1. Engasgo
O engasgo ocorre quando um alimento
sólido ou líquido entra nas vias respiratórias, podendo desencadear:
a)
Aspiração – quando líquidos ou pedaços muito pequenos de alimentos
chegam aos pulmões, o que pode provocar pneumonia por aspiração.
b)
Sufocamento – ocorre quando pedaços maiores de alimentos ou
objetos param na garganta (traquéia) e impedem a passagem do ar.
O Cuidador, ao perceber
que a pessoa cuidada está engasgada, tente primeiro retirar com o dedo o pedaço
de alimento que está provocando o engasgo. Caso não consiga, coloque a pessoa
em pé, abrace-a pelas costas apertando com seus braços a “boca” do estômago da
pessoa. (Manobra de Heimlich).

O Cuidador, ao alimentar a
pessoa acamada, deve coloca-la na posição mais sentada possível com a ajuda de
almofadas e travesseiros e não dê líquidos e alimentos à pessoa que estiver
engasgada.
27.2. Queda
As quedas são os acidentes que mais ocorrem com as
pessoas idosas e fragilizadas por doenças, ocasionando fraturas principalmente
no fêmur, costela, coluna, bacia e braço.
Após uma queda é
importante que a equipe de saúde avalie a pessoa e identifique a causa,
buscando no ambiente os fatores que contribuíram para o acidente.
Assim, podem ajudar a
família a adotar medidas de prevenção e a tornar o ambiente mais seguro.
Ao atender a pessoa que
caiu, observe se existe alguma deformidade, dor intensa ou incapacidade de
movimentação, que sugere fratura. No caso de suspeita de fratura, caso haja
deformidade, não tente “colocar no lugar”, procure não movimentar a pessoa
cuidada e chame o serviço de emergência o mais rápido possível.
27.3. Convulsão
A convulsão ou ataque
epilético é o resultado do descontrole das ondas elétricas cerebrais e pode
acontecer por diversas causas. Não é doença contagiosa, portanto ninguém se
contamina ao atender e tocar a pessoa durante a convulsão. Na crise convulsiva
a pessoa pode cair, perder a consciência, movimentar braços e pernas contra sua
vontade e de maneira desordenada, urinar e defecar involuntariamente.
Ao atender a pessoa
durante a crise convulsiva, apóie a cabeça da pessoa e gire para o lado, para
evitar que a saliva seja aspirada e vá para os pulmões. Proteja a pessoa para
ela não se machucar, afastando móveis e objetos.
Ao terminar a crise a
pessoa acorda confusa, desorientada, sentindo dores no corpo e sem saber o que
aconteceu. Tranqüilize a pessoa e procure ajuda da equipe de saúde.
27.4. Vômitos
Os vômitos podem estar relacionados à doença ou a uma
reação do organismo a um alimento ou medicamento.
Vômitos freqüentes causam desidratação
principalmente em crianças, idosos e pessoas debilitadas. Para evitar que a
pessoa fique desidratada é preciso repor com soro caseiro ou de pacote, o
líquido e sais minerais perdidos pelo vômito.
Ao atender a pessoa acamada que esteja
vomitando, vire-a de lado para evitar que o vômito seja aspirado e chegue aos
pulmões.
27.5. Diarréia
Diarréia são fezes
líquidas em maior número do que a pessoa evacuava normalmente.
As crianças e os idosos
com diarréia podem facilmente ficar desidratadas. A alimentação da pessoa com
diarréia não deve ter alimentos fibrosos como: verduras, legumes, frutas,
feijão e alimentos doces.
Nos primeiros sinais de diarréia e vômitos, prepare soro caseiro
ou de pacote e ofereça à pessoa em pequenos goles.
Se a pessoa cuidada, mesmo
tomando soro, continuar com vômito ou estiver com sinais de desidratação,
sangue nas fezes, vermelhidão na pele, febre e calafrios, é preciso que seja
avaliada pela equipe de saúde. Pessoas com diabetes ou que tomem remédio para o
coração podem apresentar complicações mais cedo.
27.6. Desidratação
A desidratação acontece quando a
pessoa perde líquidos e sais minerais pelo vômito e diarréia.
A pessoa desidratada pode apresentar pele seca, olhos
fundos, pouca saliva e urina.
Nas crianças pequenas a
moleira fica afundada. Sonolência, cansaço, piora do estado geral, pressão
baixa, confusão mental são sinais de desidratação grave.
Se a pessoa não consegue
beber água ou soro, ou os vômitos/diarréia não param, procure a equipe de
saúde, pois pode ser necessário aplicar soro na veia.
27.7. Hipoglicemia
A hipoglicemia é a diminuição do nível do açúcar no sangue. Isso
acontece nos diabéticos quando faz muito exercício físico em jejum ou se fica
longo tempo sem se alimentar.
No Diabético também pode ocorrer hipoglicemia quando a pessoa
recebe uma dose de insulina ou de medicamentos para o controle do Diabetes
maior que o necessário ou quando consome bebida alcoólica em excesso. A
hipoglicemia pode ocorrer em qualquer hora do dia ou da noite, mas em geral
acontece antes das refeições.
Os sinais e sintomas de hipoglicemia são: cansaço, suor frio, pele
fria, pálida e úmida, tremor, coração disparado, nervosismo, visão turva ou
dupla, dor de cabeça, dormência nos lábios e língua, irritação, desorientação,
convulsões, tontura e sonolência.
Converse com a equipe de saúde para aprender a verificar a
glicemia em casa. Se a glicemia estiver abaixo de 50 a 60 mg/dl ou a pessoa
estiver sentindo os sintomas referidos acima ofereça bala ou meio copo de água
com duas colheres de sopa de açúcar.
Se ela estiver desmaiada ou se recusar a colaborar, coloque um
lenço entre as arcadas dentárias e introduza colheres de café com açúcar entre
a bochecha e a gengiva, massageando-a por fora.
Assim que a pessoa melhorar, ofereça a ela uma refeição. Se os
sintomas não desaparecerem é
preciso procurar imediatamente a equipe de saúde ou um serviço de urgência.
27.8. Desmaio
Desmaio é a perda temporária da consciência, pode ocorrer quando a
pessoa tem uma queda da pressão arterial, convulsões, doenças do coração,
hipoglicemia, derrame e outras. Por esse motivo é preciso identificar a causa
do desmaio.
Enquanto a pessoa estiver inconsciente, não ofereça líquidos ou
alimentos, pois ela pode engasgar. Verifique se a pessoa apresenta ferimentos
ou fraturas. Peça ajuda para levantar a pessoa e colocá-la na cama. Mantenha a
pessoa deitada, com a cabeça no mesmo nível do corpo.
Se a pessoa que desmaiou for diabética, espere recuperar a
consciência, e então ofereça a ela um copo de água com açúcar. Se for possível,
meça a pressão e sinta os batimentos do pulso. Se a pessoa não melhorar,
procure imediatamente a equipe de saúde.
27.9. Sangramentos
É a perda de sangue em qualquer parte do corpo. Pode acontecer
externamente ou internamente,
resultante de feridas, cortes, úlceras ou rompimento de vasos sangüíneos.
O
sangramento interno é mais grave e mais difícil de ser identificado. Procure
localizar de onde vem o sangramento e estancá-lo, apertando o local com as
mãos.
Para
evitar contaminação proteja o local com um pano limpo. Para diminuir o sangramento,
utilize compressa com gelo ou água gelada, mantendo elevado.
Se a
hemorragia acontecer num órgão interno que se comunica com o exterior o
sangramento será percebido na boca, nariz, fezes, urina, vagina ou pênis,
dependendo do local onde rompeu o vaso sangüíneo. No sangramento do intestino é
possível perceber fezes escuras e com cheiro fétido, o sangue que vem do
estômago escuro como borra de café ou vermelho vivo e pode ser observado no
vômito. O sangue que sai do pulmão é vermelho vivo e com bolhas de ar. Na
hemorragia de bexiga o sangue sai pela urina.
O
sangue que sai pela vagina pode ser de uma hemorragia da vagina, do útero ou
das trompas. Qualquer tipo de sangramento deve ser avaliado pela equipe de
saúde.
27.10. Confusão mental
Na
confusão mental a pessoa fica agitada, irritada, desorientada, não sabe onde
está e fala coisas sem sentido, parece ativa num momento e logo a seguir pode
estar sonolenta e com a atenção prejudicada.
A
confusão mental pode acontecer no infarto do coração, desidratação, traumatismo
do crânio, infecção, pressão baixa, derrame ou outra doença grave.
É
preciso que a pessoa seja avaliada pela equipe de saúde. Com o tratamento
dessas doenças geralmente a pessoa sai do estado de
confusão.
28. RECONHECENDO O
FIM
Diante da possibilidade de morte de alguém querido a família ou o
cuidador passa pelo sentimento de incapacidade e isso gera sentimentos
contraditórios, tais como raiva, culpa, alívio, etc.
A raiva é um sentimento que aparece quando se percebe que não se
pode mudar o rumo das coisas e prolongar a vida. A culpa está relacionada com o
sentimento de não ter cuidado mais e melhor. Por outro lado, a morte de alguém
que está sofrendo pode representar um alívio para a família e para o cuidador.
Esses são sentimentos comuns e normais nessa situação,
dificilmente são reconhecidos ou aceitos. É preciso que o cuidador e os
familiares reconheçam seus limites e entendam que mesmo que esteja fazendo tudo
o que é necessário para o bem-estar da pessoa, pode ser que ela não recupere a
saúde.
Ao longo da vida passa-se por várias situações: algumas coisas são
perdidas e outras ganhas, tais como: ao crescer se perde a infância e se ganha à
adolescência, ao mudar de casa ou de trabalho se pode ganhar mais espaço, ou
melhor, salário, mas se perde o lugar que gostava ou se deixam os amigos, ao
terminar um relacionamento amoroso e iniciar outro, os sentimentos também são
contraditórios. Se sente tristeza pela perda do amor antigo, apesar de estar
feliz com novo amor. Todas essas situações podem parecer insuportáveis e
insuperáveis.
Esse momento de sofrimento pela perda de alguém é mais bem
suportado quando se tem com quem partilhar, pois esconder os sentimentos,
chorar escondido, negar a perda não torna o sofrimento mais suportável.
Nessas horas cada pessoa tem seu jeito de procurar consolo para
seu sofrimento como, por exemplo, rezar, mudar de ambiente, pensar sobre a
vida, conversar sobre a situação, reencontrar velhas amizades, cuidar de si
mesmo e reorganizar a vida.
28.1. Como proceder
no caso de óbito
a) Óbito na residência, sem
assistência médica – Procurar na sua cidade o serviço de verificação de óbitos para a
emissão do atestado de óbito, caso não haja esse serviço, o atestado deverá ser
emitido por médico do serviço de saúde pública mais próximo ao local onde
ocorreu o falecimento, ou na falta desse, por qualquer outro médico da
localidade. Em todos os casos deverá constar no atestado que a morte ocorreu
sem assistência médica.
b) Óbito no hospital – No próprio hospital o
familiar/cuidador receberá orientações necessárias sobre como proceder para
obter a declaração de óbito.
Após a emissão da declaração de óbito, a família ou responsável
pelo falecimento deverá levar o documento ao Cartório de registro mais próximo
a fim de registrar o óbito. Esse registro resultará na Certidão de Óbito
emitida pelo Cartório, documento essencial para que se proceda ao sepultamento
e todas as outras providências necessárias.
29. REFERÊNCIAS:
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Acesso em maio 2014.
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da República. Política Nacional para integração da pessoa portadora de deficiência
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VARELA, Flávia Regina de Andrade. Apostila WPOS – Geriatria.
Brasília: W.Educacional, 2011.











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